Polícia do Rio continua operação em favelas

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Publicado sábado, 25 de outubro de 2003 as 14:17, por: cdb

Cerca de 300 policiais estão realizando incursões nas comunidades do Sapo, Fazendinha e da Grota, no Complexo do Alemão, em Ramos, dando continuidade às operações deflagradas nesta sexta-feira para combater o tráfico de drogas e a circulação de armas. Os policiais já apreenderam nesta manhã dois galões de acetona, que segundo os oficiais seriam usados para o refino da cocaína, na Favela do Sapo. Na Favela Fazendinha, no Complexo do Alemão, um homem, que teria disparado contra a policia, foi preso. Uma moto e dois carros também apreendidos.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, para garantir a eficácia das operações, está sendo utilizada uma tática desenvolvida a partir do trabalho do setor de Inteligência da Secretaria de Segurança: os locais onde os policiais vão atuar só são anunciados minutos antes do início da operação.

Segundo ele, os policiais só tomaram conhecimento do seu destino às 5h15 da manhã. “Eles também não podem levar celulares ou radiotransmissores. Não é desconfiança de ninguém, até porque a corporação como um todo é formada por pessoas honestas. Apenas estamos seguindo a estratégia apontada pelo nosso setor de Inteligência, que é empregada com sucesso em outros países”, explicou Garotinho. De acordo com o secretário, amanhã mais três comunidades terão a presença dos policiais.

Ontem, equipes de delegacias especializadas do Rio ocuparam três favelas da Zona Norte e uma na Zona Sul com o objetivo de localizar os criminosos envolvidos no confronto com policiais militares, no último domingo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a prisão do ex-PM Alexandre Lins Medeiros, quinta-feira, motivou a operação.

Os resultados da operação de ontem não foram os que a secretaria esperava. A prioridade era prender o traficante Arlei Azevedo de Araújo, o Savoy, que seria o segundo homem na hierarquia da quadrilha do traficante Paulo César dos Santos, o Linho, criminoso mais procurado do Estado. Araújo não foi preso.

A única detenção efetuada foi a de Cláudio Pereira Barbosa, 30, que tinha mandado de prisão expedido pela 5ª Vara de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, possivelmente por ter cometido um assassinato. Ele foi preso na favela do Muquiço, em Guadalupe.

Uma pequena quantidade de droga e uma pistola foram apreendidas no morro da Lagartixa. Na favela Jorge Turco, nada foi encontrado. A Polícia oferece R$ 50 mil para quem der informações que levem à prisão de Linho e R$ 5.000 para informações sobre Araújo. De acordo com a Polícia, Medeiros atuava como “armeiro” de Savoy.

Líder da facção criminosa Terceiro Comando (TC), Linho é um dos criminosos mais procurados do Estado. O ex-PM foi preso nas proximidades da favela do Muquiço. Foram apreendidos três revólveres, cinco pistolas, uma espingarda calibre 12, três silenciadores, dois carregadores de fuzil e uma metralhadora calibre 380, além de lixas para metal e cinco jogos de pinos utilizados para remarcar a numeração de armas.

O ex-policial Medeiros foi preso após denúncia anônima. De acordo com a secretaria, durante depoimento aos policiais, ele forneceu informações sobre os pontos de venda de drogas na favela do Muquiço e nos morros Jorge Turco e Lagartixa, ocupados pela Polícia no início da manhã.

Condenado por assassinato em Nova Iguaçu, Cláudio Pereira Barbosa foi preso durante a operação. No começo da tarde, os policiais começaram a fazer incursões no Parque Nova Cidade, onde estariam refugiados Savoy e Flávio Pereira da Silva, apontado como o líder do grupo que atacou os PMs no último domingo.

No início da semana, a Polícia Militar ocupou os morros da Pedreira e da Lagartixa, na Pavuna (Zona Norte), por causa do confronto, que deixou um traficante morto e 12 pessoas feridas. O tiroteio ocorreu na avenida Pastor Martin Luther King.

Operações serão rotineiras

Operações policiais como as deflagradas ontem e hoje pela Secretaria estadual de Segurança Pública em pontos específicos do Rio se