Polícia do Pará abre fogo contra sem-terra

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Publicado quinta-feira, 15 de agosto de 2002 as 21:40, por: cdb

“Eles não respeitaram nem mulheres, velhos e crianças. Simplesmente saíram atirando e espancando as pessoas”, disse Lima. Segundo ele, os policiais militares tinham avisado que agiriam com maior violência, se as famílias voltassem a ocupar a fazenda. “O povo entrou e ocupou porque é pobre e não tem onde morar. Errada está a PM, que agiu a serviço do proprietário, agrediu e feriu gravemente os trabalhadores”, argumentou o líder do MTST.

Entre os feridos, informou Lima, está uma mulher grávida de oito meses. Um trabalhador teria recebido um tiro da Polícia Militar nas costas e braço e outro levou um tiro na boca. A mulher, conhecida como Socorro, foi atingida por uma bala de borracha e uma bomba de gás lacrimogênio. Segundo Lima, ela corre o risco de perder o filho. A quarta vítima seria um homem, que sofreu fratura em um dos braços provocada por um tiro.

Os feridos foram levados para o Pronto Socorro Municipal de Belém, segundo informou o MTST. A capitã Sandra Marina, da assessoria de imprensa da Polícia Militar, informou que até o momento em que ela falou com o major Daniel, responsável pelo Batalhão de Choque que realizou a operação de desocupação da fazenda, não tinha conhecimento de qualquer ferido no confronto.

A capitã disse que a tropa foi recebida com pedradas pelos invasores, que quebraram o ônibus onde estavam os militares. “O que houve foi uma reação à altura”, justificaram os militares envolvidos na desocupação, informando que dez pessoas foram presas.