Polícia britânica prende 60 suspeitos em caso de pedofilia

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Publicado quinta-feira, 14 de novembro de 2002 as 23:30, por: cdb

A polícia prendeu, nesta quinta-feira, 60 pessoas suspeitas de arquivar pornografia infantil na Grã-Bretanha, depois de quase seis meses de investigação.

Entre o material apreendido nas operações, que envolveram a varredura de 50 casas, estavam fotos pornográficas de crianças de até 2 anos de idade, além de cem discos rígidos de computadores, milhares de CDs, disquetes e DVDs, que serão examinados.

Os 56 homens e quatro mulheres presos foram liberados após pagamento de fiança e responderão ao inquérito em liberdade. Um dos homens presos não será mais investigado.

De acordo com o Departamento de Crimes Computadorizados da Polícia de Northumbria, no norte da Inglaterra, um dos homens presos guardava mais de 12 mil imagens de crianças em um jogo ilegal no seu computador.

Extremo Oriente

O inspetor-chefe, Michael Jones, disse que havia imagens de crianças de 2 anos, às vezes sozinhas, outras ao lado de crianças ou adultos.

Muitas das crianças pareciam ser do Extremo Oriente e da Europa Oriental, mas outras poderiam ser da Grã-Bretanha.

Jones lembrou que cada vez que alguém olha uma foto de uma criança sofrendo maus-tratos sexuais, ela está “pagando para ver um crime sendo cometido”.

“Não é o caso de alguém que goza em suas fantasias pessoais, no refúgio do seu lar, sem prejudicar mais ninguém”, disse o policial.

Vítimas reais

Ele afimou que as crianças são as “verdadeiras vítimas” que estão sendo exploradas e feridas.

“Essa operação prova que, independentemente de o quanto se tenta esconder material ilegal em computadores, nós encontramos formas de descobrir”, afirmou.

“Eles podem ser capazes de esconder isso de suas mulheres e parceiras, mas não podem se esconder da polícia”, completou.

Em junho, a polícia de Northumbria começou a analisar informações que indicavam que cidadãos britânicos tinham visitado um site americano que vendia acesso a outros sites com imagens de pedofilia.

Há seis semanas, depois de confirmar endereços e outros detalhes, a polícia iniciou uma série de prisões nas cidades de Tyne e Wear, em Northumberland.

Cooperação

Jones disse ainda que a polícia contou com a cooperação de provedores de acesso à internet e outros braços da lei que estão dificultando a vida de pedófilos que querem esconder no anonimato da rede.

“Nós usamos tecnologias sofisticadas, aliadas ao trabalho convencional de análise dos detetives, e agora podemos identificar essas pessoas, que presumivelmente achavam que suas atividades permaneceriam indetectáveis”, disse o policial.

Na Grã-Bretanha, a pena para pessoas condenadas por posse de fotos indecentes de crianças pode chegar a cinco anos; para produção e distribuição dessas fotos, a pena máxima sobe para dez anos.

Novas fontes

As pessoas condenadas são imediatamente cadastradas no Registro de Crimes Sexuais.

Apesar de o acesso ao site americano ter sido bloqueado em 1999, os computadores apreendidos pela polícia mostram que os acusados conseguiram outras fontes de fotos de pedofilia.

“Devido à natureza detalhada das informações que eram exigidas antes do acesso ao site, é muito improvável que qualquer pessoa tenha entrado nele sem querer”, disse Jones.

“No entanto, não há nada que indique que as pessoas presas estejam relacionadas de qualquer outra forma, além de terem usado o mesmo site”, acrescentou.

O policial esclareceu que a investigação não apontou indícios de uma “rede de pedofilia” na região.

Em maio, dois homens haviam sido presos na mesma área. Na casa de um deles, em Newcastle, a polícia encontrou 17 mil imagens pornográficas de crianças e descobriu que ele gastou 600 libras (quase R$ 3,5 mil) em seu cartão de crédito para acessar os sites de onde baixou as fotos.

O homem está sendo julgado pelos tribunais ingleses.