Polícia britânica cria teste que identifica estuprador sem esperma

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Publicado sexta-feira, 9 de março de 2007 as 16:06, por: cdb

Um novo exame de DNA vai ajudar a polícia na Grã-Bretanha a resolver casos de estupro mesmo quando não há traços de espermatozóides na vítima. O exame vai procurar por marcas genéticas de outras células presentes no sêmen, células da pele e imunológicas.

Os cientistas que desenvolveram o teste, no Serviço de Ciências Forenses (FSS, na sigla em inglês) em Birmingham, afirmam que ele vai ajudar a elucidar os cerca de 10 a 15% de casos de estupro em que não é possível encontrar espermatozóides no sêmen, porque o estuprador tem problemas médicos ou devido a uma vasectomia.

Segundo a revista New Scientist o novo exame foi usado em um caso de estupro pela primeira vez em janeiro. O suspeito foi indiciado e o caso foi para a Justiça britânica.

Um problema comum para cientistas e legistas que tentam usar o DNA para identificar suspeitos em caso de ataques sexuais é que a quantidade de DNA masculino retirados das mulheres vítimas dos ataques geralmente é minúscula comparada à quantidade de DNA da própria vítima.

Métodos convencionais de ampliar pequenas amostras de DNA não funcionam, pois o DNA da mulher pode ser ampliado junto no processo.

Mas os cientistas combinaram uma técnica chamada de “microseparação a laser” (LMD, na sigla em inglês), que permite que qualquer célula masculina, que contenha o cromossomo Y, seja extraída de uma amostra microscópico, com hibridização fluorescente, que pode destacar seqüências de DNA únicas, dentro das células.

Com estas seqüências, e com a análise sensível de DNA feita pelo FSS, cientistas conseguiram obter traços genéticos exatos de homens a partir de amostras retiradas da vagina das vítimas até 24 horas depois da relação sexual, mesmo sem a presença do espermatozóide.

– Isto vai nos ajudar a obter importantes perfis genéticos em mais de 90 casos de estupro por ano que, anteriormente, ofereceram dificuldade para conseguir este perfil de DNA -, disse o gerente de pesquisa do FSS, Martin Bill.