PMDB oposicionista tenta derrubar Borba da liderança na Câmara

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Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 21:22, por: cdb

A ala oposicionista do PMDB quer retomar o controle da bancada do partido na Câmara e está articulando para retirar o deputado José Borba (PR), governista de carteirinha, da liderança da sigla.

A idéia é desmontar o poder do governo e a avaliação é de que o primeiro passo para isso exige a substituição do atual líder, um dos negociadores da reforma ministerial que deve ampliar a participação do PMDB na equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

– Com Borba na liderança, fica difícil mudar o perfil da bancada e evitar uma obediência cega ao governo – disse na quarta-feira um peemedebista, que preferiu ficar no anonimato.

O racha do partido coloca em lados opostos aqueles que desejam a independência da sigla em relação ao governo e os que têm fome por mais espaço na Esplanada dos Ministérios.

Para costurar a substituição do colega, o deputado Michel Temer, hoje na presidência do partido, pediu ajuda ao ex-governador do Rio Anthony Garotinho, um oposicionista convicto, para articular a “fritura de Borba”, convencendo seus seguidores na bancada a escolher outro nome.

A liderança é importante porque permite grande influência sobre os votos da bancada, sobretudo em votações consideradas decisivas.

Pessoas próximas ao atual líder, tido como escudeiro do ministro das Comunicações, Eunício Oliveira (CE), comentam que ele não só sabe dessa articulação como já acionou o Palácio do Planalto para ajudá-lo a derrubar a idéia de ser substituído.

Na opinião desses interlocutores, será difícil retirá-lo facilmente do cargo, argumentando que o deputado detém cerca de 55 dos 77 votos da bancada.

Na terça-feira, Temer fez um périplo em gabinetes da Câmara e nomeou Garotinho como encarregado de arregimentar votos contrários a Borba.

Garotinho, que diz orientar votos de 18 parlamentares peemedebistas, poderia chegar à marca de 35 deputados, mesmo número dos que votaram pelo rompimento com o Palácio do Planalto na última convenção da sigla, em dezembro do ano passado.

Em outra frente, os seis deputados federais do PSC, um partido nanico que sofre forte influência de Garotinho, foram convidados pela ala oposicionista para se filiar ao PMDB. Segundo informações de uma fonte que pediu para não ser identificada, a idéia é inchar a bancada do PMDB com deputados contrários ao governo.

“Realmente recebemos esse convite do governador Garotinho (…) e estamos analisando quando isso poderia ocorrer”, confirmou o deputado Carlos Willian (PSC-MG).

Atualmente, Temer não tem número suficiente para vencer uma queda-de-braço interna como esta. Mas caso vingue a proposta de filiação do PSC e de deputados de outros partidos que estão sendo sondados, a divisão seria mais equilibrada, colocando em risco a maioria do PMDB governista.

“Veremos a escolha do líder e mostraremos quem vai ter maioria”, indicou Garotinho.

Entre os nomes cotados para ficar com a vaga de Borba estão os deputados Eliseu Padilha (RS), que faz dura oposição ao governo, Waldemir Moka (MS), também cotado para assumir a 1a secretaria da Mesa Diretora, e Saraiva Felipe (MG), considerado um nome que uniria a bancada. O PMDB é hoje a segunda maior bancada da Casa.