PMDB distribui jornal sobre suposto caixa 2 do PFL

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Publicado sábado, 5 de janeiro de 2002 as 00:27, por: cdb

O diretório do PMDB no Paraná começou a distribuir nesta sexta-feira um tablóide, com 64 páginas, em que apresenta cópias de parte dos papéis que têm servido às investigações realizadas pelo Ministério Público Estadual para apurar um possível caixa dois na campanha da coligação liderada pelo PFL à prefeitura de Curitiba.

O presidente do PFL municipal, José Carlos Ciccarino, disse que os advogados estão analisando se caberá alguma resposta ao PMDB, embora a tendência seja não tomar nenhuma atitude. Na capa do jornal, o presidente do PMDB, senador Roberto Requião, afirma que esse é o “maior escândalo eleitoral revelado até agora”. O texto diz o seguinte: “Leia, passe adiante, não permita que desvios como esse aconteçam novamente no Paraná. Sua indignação é a certeza de que ainda é possível evitar que a corrupção tome conta da política”, apela o senador.

De acordo com o partido, foram impressos 40 mil exemplares do jornal. No tablóide foram reproduzidas as páginas do livro chamado Movimento do Caixa, onde estão registrados valores recebidos e entregues para várias pessoas físicas e jurídicas. O PMDB também reproduz alguns recibos, que comprovariam os valores registrados no livro-caixa. O PFL prestou contas ao TRE de R$ 3,1 milhões, enquanto pelo livro o gasto teria sido de quase R$ 33 milhões.

O advogado do PFL, Antonio Augusto Figueiredo Basto, disse não ver “problema algum” na publicação do jornal. “O livro é grosseiro, não tem qualquer serventia contábil e não tem credibilidade”, afirmou. “Aqueles apontamentos não são oficiais e foram feitos de forma unilateral”. Segundo ele, a atitude do PMDB tem objetivo político. O presidente do PFL considerou o jornal “sensacionalista”. Segundo ele, Requião não tem credibilidade. “Ele tem vários processos e só não respondeu por enquanto em razão da imunidade parlamentar”, disse.

Para Ciccarino, a pesquisa divulgada pelo Datafolha, no dia 1º, que aponta o prefeito Cassio Taniguchi (PFL) como o quarto melhor entre os nove avaliados, mantendo praticamente o mesmo porcentual da pesquisa feita em junho, “abalou” o PMDB. “Estamos respondendo juridicamente a tudo o que o Ministério Público pede e em cinco ou seis meses o processo será arquivado”, previu.