PMDB deve rejeitar projeto que muda CLT

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Publicado sexta-feira, 23 de novembro de 2001 as 10:11, por: cdb

O líder do partido na Câmara dos Deputados, Geddel Vieira Lima, ainda consulta os integrantes da bancada, mas garante que a tendência é encaminhar votação contrária ao projeto. Os deputados do partido não gostaram das críticas à negociação em torno da liberação de emendas parlamentares. ‘Eles avaliam que o projeto prejudica mais do que beneficia e a força econômica pode ser um argumento maior’, justificou Geddel, que negou estar negociando a liberação de recursos às emendas do Orçamento para votar o projeto. A votação do texto em plenário foi adiada quarta-feira, pela segunda vez, a pedido do PMDB, que requisitou mais tempo para conseguir analisar o projeto. O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, por sua vez, garante que foi ele quem sugeriu o adiamento da votação.

O governo, com a resistência do PMDB, poderá encontrar dificuldades para aprovar o projeto no plenário da Câmara. As estimativas governistas apontam a possibilidade de vencer a votação com o apoio do PFL, do PSDB, do PPB e do PTB. Os quatro partidos apóiam o texto, mas o governo preferiu não arriscar e aguardar a decisão dos deputados do PMDB. Segundo o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira, a posição do PMDB poderá influenciar o resultado da votação. O deputado acredita que a mudança de posição do partido é resultado da repercussão negativa gerada nos veículos de comunicação. ‘A imprensa inventa coisas que não aconteceram e os deputados são obrigados a provar que não estão negociando’, afirmou Madeira. Com a base dividida e a oposição mobilizando trabalhadores e sindicatos contra as mudanças na CLT, até os líderes governistas consideram inconveniente insistir na votação. Isso porque a vinculação das mudanças com a pressão generalizada pela liberação de recursos vinculados às emendas orçamentárias acabou irritando os líderes aliados.