PMDB ameaça rebelião e Dilma responde defendendo unidade

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Publicado sexta-feira, 2 de março de 2012 as 13:56, por: cdb

Até então contido no primeiro ano de governo Dilma, o PMDB ensaia uma rebelião em busca de mais espaço na Esplanada e maior protagonismo nas decisões de governo, principalmente para o vice-presidente Michel Temer. Cerca de 45 deputados peemedebistas já assinaram um manifesto em que reclamam estarem sendo “alijados, jogados para escanteio”.

O documento foi redigido nesta quinta-feira (1), quando foi anunciada a indicação do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) para o Ministério da Pesca. A inesperada mudança patrocinada por Dilma, que tirou do posto o petista Luis Sérgio, não teria sido comunicada a Temer.

Além disso, ao nomear a principal liderança do PRB para um ministério, abre-se caminho para a conquista de apoio do partido para a candidatura de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo. Isso contraria os interesses do PMDB, que tem como pré-candidato o deputado Gabriel Chalita. O PRB de São Paulo até então tem como pré-candidato o deputado Celso Russonano.

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Ano eleitoral

A possível rebelião peemedebista dá sinais das turbulências políticas que devem vir no próximo período. Com a ampla base de apoio que conta o governo federal no Congresso e com uma oposição em dificuldades, as disputas internas dentro da coalizão governista tendem a se acirrar em função das eleições municipais.

No documento do PMDB, fica nítida a cobrança contra o que chamam de hegemonismo petista. O grupo diz que a relação com o PT é “desigual e injusta” e que o PMDB vive em uma “encruzilhada, onde o PT se prepara, com ampla estrutura governamental, para tirar do PMDB o protagonismo municipalista no país”.

Dilma defende coalizão

Na manhã desta sexta-feira (2), na posse de Crivela no ministério da Pesca, a presidente Dilma mandou um recado indireto aos que reclamam da sua forma de fazer política, como os peemedebistas. Ela falou em seu discurso sobre a importância da unidade da base governista e tentou afastar as impressões de que o Planalto tem trabalhado para fortalecer o PT nas próximas eleições.

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“A constituição de alianças políticas é fundamental para que o Brasil seja administrado, governado de forma democrática e, ao mesmo tempo, que o governo represente os interesses da nação”, afirmou Dilma.

Dilma enfatizou que “ao chegar ao governo, o presidente tem o dever de governar para todos, inclusive para aqueles que não votaram nele. Um presidente ou presidenta tem obrigação para o conjunto da nação. E, ao mesmo tempo, se apoia numa coalizão de partidos”.

De Brasília,
Kerison Lopes

 

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