PM define esquema para reintegrar posse de área invadida pelo MST em SP

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Publicado quarta-feira, 12 de março de 2003 as 11:18, por: cdb

A Polícia Militar define nesta quarta-feira o esquema de reintegração de posse da área invadida por 400 sem-terra ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na fazenda Campininha, usada pelo Estado como base de pesquisas ambientais, em Mogi-Guaçu (172 km a norte de SP). A remoção dos invasores está marcada para esta quinta-feira.

De acordo com o CPI-2 (Comando de Policiamento do Interior), com sede em Campinas (95 km a noroeste de SP), uma ação conjunta envolvendo 300 policiais de Mogi e da Tropa de Choque de Campinas será destacada para organizar a retirada dos invasores.

“Pelo número de sem-terra [400], acredito que esse contingente de policiais seja o necessário”, informou nesta terça-feira o coronel Reinaldo Pinheiro Silva, comandante do CPI-2.

Segundo o comando do 26º Batalhão da PM, participam da reunião o 35º BPM, de Campinas, além do Conselho Tutelar, secretarias da saúde e da promoção social, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

“Nesta quarta-feira, vamos apenas nos reunir para traçar o plano de ação. Há muitas questões envolvidas na ocupação. Por causa da presença de crianças, por exemplo, precisamos destacar vários órgãos, como o Juizado de Menores”, disse o subcomandante do 26º BPM, major José Aparecido de Oliveira.

A Polícia Militar de Mogi-Guaçu recebeu nesta terça-feira da Justiça cópia da liminar que determina a reintegração de posse da área.

Líderes da ocupação prometeram deixar a fazenda pacificamente até sexta-feira, após acordo feito terça-feira com o secretário da Justiça e da Defesa e Cidadania, Alexandre de Moraes. “Conversamos com ele e, mesmo sem termos garantia para onde iremos, vamos deixar o local até sexta-feira”, disse um dos líderes do assentamento Valter Durante, 43, da Associação dos Trabalhadores Rurais 12 de Outubro.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Justiça e da Defesa e Cidadania confirmou o acordo.

Os dois comandantes da PM afirmaram terça-feira desconhecer qualquer comunicado sobre um acordo feito entre os invasores sem-terra e o secretário.

“Não ouvi nada a respeito”, disse Oliveira. “Recebemos apenas uma determinação judicial para que se cumpra o que foi expedido”, completou Silva.

Os líderes da ocupação querem 50% da fazenda invadida, que tem 4.500 hectares, no distrito de Martinho Prado, para o assentamento das famílias sem terra.

Segundo eles, apenas 40% da área é usada para pesquisa.