Plano de Paz no Oriente Médio está arriscado por ataques

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Publicado quinta-feira, 12 de junho de 2003 as 01:49, por: cdb

A proposta de paz dos Estados Unidos no Oriente Médio estava em risco na quinta-feira depois de um homem-bomba palestino ter matado 16 pessoas em um ônibus em Jerusalém e após mísseis de helicópteros militares israelenses terem deixado nove palestinos mortos em ataques contra militantes.

Ao ver seu “mapa da paz” ofuscado por uma nova onda de assassinatos, o presidente dos EUA, George W. Bush, condenou o ataque em Jerusalém e convocou “todo o mundo livre a usar cada medida de seu poder para preveni-los”.

Mas as promessas de mais ataques do grupo militante Hamas, que reivindicou a responsabilidade da explosão em Jerusalém, e o juramento de Israel de perseguir e matar mais militantes palestinos enfraqueceram as esperanças dos EUA de reacender suas iniciativas de paz.

Dezesseis pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas quando um homem-bomba palestino, disfarçado de judeu ortodoxo, detonou explosivos presos ao seu corpo em um ônibus no centro de Jerusalém durante a tarde.

A explosão partiu o ônibus perto do principal mercado a céu aberto da cidade, decapitando passageiros e lançando pedaços de corpos na rua.

Minutos depois, um helicóptero israelense disparou mísseis contra um carro na Cidade de Gaza, matando dois importantes militantes do Hamas e outros cinco transeuntes.

Por volta da meia-noite, mais dois militantes do Hamas foram em outro ataque de mísseis israelenses.

O Hamas declarou que enviou o homem-bomba para vingar a tentativa de Israel de assassinar Abdel-Aziz al-Rantissi, co-fundador do grupo, em um ataque de mísseis em Gaza na terça-feira.

Autoridades israelenses disseram que o homem-bomba envolvido no ataque de quarta-feira foi enviado antes de sua tentativa de matar Rantissi e que dez militantes suicidas haviam sido presos pelas forças israelenses desde uma cúpula liderada pelos EUA para as negociações de paz na Jordânia, na semana passada.

O presidente palestino, Yasser Arafat, condenou a ação do homem-bomba em Jerusalém e os ataques de mísseis israelenses em Gaza.

Já o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, intrépido diante de uma rara crítica de Bush pela tentativa de assassinato de Rantissi, prometeu perseguir os militantes com força total. No entanto, disse que Israel continua comprometido em avançar nas negociações de paz.

Bush lançou o plano de paz na semana passada, durante um encontro com Sharon e o primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, na esperança de pôr fim aos 32 meses de violência da Intifada, levante popular palestino contra a ocupação israelense.