Planejamento se transforma em nó para o governo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 10 de janeiro de 2005 as 20:55, por: cdb

O Ministério do Planejamento virou um nó difícil de desatar na reforma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará em sua equipe. Motivo: é extremamente técnico desagrada aos políticos e não dá voto. Até hoje (10) à noite, pouco antes de se reunir com a coordenação política do governo, Lula não havia encontrado o nome ideal para a cadeira antes ocupada por Guido Mantega, petista transferido há dois meses para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Alguns políticos rejeitaram a vaga. Outros foram vetados pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Na semana passada, o líder do PTB na Câmara, deputado Roberto Jefferson (RJ), disse com todas as letras a Lula que seu partido não queria trocar o certo pelo duvidoso. Em outras palavras: o Ministério do Turismo comandado por Walfrido dos Mares Guia, pelo nada cobiçado Planejamento. Em conversa com o presidente, no Palácio do Planalto, Jefferson foi franco. “Planejamento nem pensar. Estamos muito bem no Turismo, onde empenhamos várias emendas ao orçamento. Não queremos um ministério antipático, que vive cortando recursos e dizendo não para os outros”, afirmou.

No meio político, o comentário é que a senadora Roseana Sarney (PFL-MA) também recusou a sondagem para o Planejamento. Um interlocutor do presidente, no entanto, garante que o convite a Roseana será mesmo para Comunicações. Se ela aceitar, o deputado licenciado Eunício Oliveira, do PMDB, poderá ser deslocado para outro ministério. Uma das idéias é que ele vá para Integração Nacional, hoje nas mãos de Ciro Gomes (PPS). Lula gostaria de ver Ciro no Planejamento, mas Palocci, não. O ministro da Fazenda não quer ali ninguém que faça um contraponto a ele. Um importante senador, que conversa sempre com o presidente, chegou a fazer uma indicação de peso para o cargo. Palocci também vetou.

Citado por Lula na campanha eleitoral de 2002 como “um dos ministérios mais importantes do governo”, na prática o Planejamento está esvaziado.

Na disputa entre monetaristas e desenvolvimentistas, perdeu espaço para a Fazenda. “Essa briga está totalmente fora de moda”, argumentou o economista João Paulo dos Reis Velloso, que foi ministro do Planejamento de 1969 a 1979, nos governos militares de Médici e Geisel.

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante, bem que gostariam de ocupar o Planejamento para lhe dar outros rumos e, como dizem, “impulsionar o desenvolvimento”. Mas os dois têm divergências com Palocci sobre os caminhos a seguir e, ao que tudo indica, devem ficar onde estão. Em uma afirmação que provocou polêmica, Dirceu confessou que “gostaria de ser Reis Velloso” e não Golbery do Couto e Silva – o poderoso chefe da Casa Civil com quem sempre é comparado.

Na entressafra da reforma, os deputados petistas Paulo Bernardo (PR), aliado de Palocci, e Jorge Bittar (RJ) também foram citados para o Planejamento. Mas, no próprio PT, dirigentes do partido asseguram que o ministério deverá entrar na cota política, para agradar aos aliados. O difícil é saber quem ficará satisfeito fora da seara petista. “Não temos pressa. Estamos muito bem com o companheiro Nélson Machado”, afirmou Lula, numa referência ao atual ministro do Planejamento, que era secretário-executivo de Mantega.