Pivô da seleção tem antidoping positivo no Mundial de basquete

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Publicado domingo, 6 de outubro de 2002 as 00:08, por: cdb

O pivô Rafael Araújo, o Baby, 22, que atuou pela seleção brasileira no Mundial de Indianápolis, encerrado no mês passado, foi pego no exame antidoping feito durante a competição nos EUA.

O resultado da primeira análise, feita pelo laboratório de Montréal credenciado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), deu positivo para um esteróide anabólico, substância que aumenta a força e a potência muscular. O resultado da amostra B deve sair na próxima segunda-feira.

A CBB (Confederação Brasileira de Basquete) e o médico da seleção, César de Oliveira, não irão se pronunciar sobre o assunto até a Fiba (Federação Internacional de Basquete) oficializar o caso.

Baby tomou o complexo multivitamínico Universal Animal Stak. O pivô disse que fazia uso do produto havia três meses, mas não sabia que ele continha substâncias dopantes. Ao saber da notícia, entregou a caixa com a bula para seu treinador na Brigham Young University, em Provo (Utah), onde joga atualmente.

O comprimido tomado pelo brasileiro contém 4-androstenodiona, 19-nor-5-androstenodiona e 5-androstenodiol. Segundo o médico Francisco Radler de Aquino, do Ladetec, laboratório do Rio credenciado pelo COI para fazer exames antidoping, as três substâncias são pró-hormônios (esteróides anabólicos).

“Comprei o produto em uma loja. Ele é vendido normalmente no comércio. Mas não sabia que continha substâncias proibidas pela Fiba. Se soubesse, não teria tomado. Tive azar”, contou o jogador à Folha, por telefone.

“Comprei por conta própria. Nem sabia o que estava tomando”, lamentou Baby.

No Mundial de Indianápolis, a Fiba realizou exames antidoping apenas em alguns jogos. A seleção brasileira teve atletas escolhidos para passar pelo controle nas partidas contra Turquia, Angola e Espanha -nessa última é que foi feita a coleta da urina do pivô.

Baby fará novo exame, na semana que vem, para ver se a substância proibida ainda pode ser detectada em seu organismo.

“Ainda não contratei ninguém para me defender. Estou tendo todo o respaldo da universidade. Eles vão cuidar de tudo para mim”, contou Baby, que joga nos EUA há dois anos.

O técnico Hélio Rubens não quis comentar o caso em detalhes. Para ele, todos os atletas que defenderam a seleção no Mundial estavam conscientes de quais substâncias não poderiam tomar.

“Não estou acreditando. Conheço bem os jogadores que viajaram aos EUA. Tinha menos contato com o Baby, que se juntou ao grupo de última hora, mas sei que ele é casado e ajuizado.”