Pinochet nega responsabilidade em casos de tortura em seu governo

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Publicado quarta-feira, 18 de outubro de 2006 as 21:17, por: cdb

O ex-ditador chileno Augusto Pinochet negou em um interrogatório sua responsabilidade no caso de torturas durante seu governo, disse nesta quarta-feira, o juiz responsável pelo caso, Alejandro Solís. O magistrado, que disse ter encontrado o militar de 90 anos “bastante bem”, interrogou pela primeira vez o ex-ditador, como parte da ação em que Pinochet é acusado de envolvimento em torturas, além do sequestro e homicídio de 59 opositores que estavam no centro de repressão Villa Grimaldi.

Solís chegou pouco antes das 10h (horário de Brasília) à residência de Pinochet, localizada na Zona Leste da capital chilena, para interrogar o ex-ditador que governou o Chile entre 1973 e 1990.

– O general (…) estima que não tem responsabilidade nos fatos e que nem sequer conhece as circunstâncias, nem os nomes (neste caso de torturas) -, disse Solís a jornalistas.

Solís, que foi acompanhado por sua secretária, interrogou durante uma hora o militar para determinar sua participação ou responsabilidade em 23 casos de tortura e 36 sequestros, disseram fontes judiciais. Depois deste procedimento, Solís poderá ter condições de eventualmente resolver o processo de Pinochet e até mesmo decretar sua prisão domiciliar, como ocorreu em outros casos, ainda que de forma temporária.

Para Solís, o interrogatório “é uma diligência muito importante no processo e minha opinião sobre o futuro (judicial de Pinochet) ainda não a tenho”. Villa Grimaldi, em Santiago, foi um dos centros de detenção e tortura mais emblemáticos da ditadura.

A presidente Michelle Bachelet e sua mãe, Angela Jeria, estiveram entre as centenas de chilenos que foram torturados em Villa Grimaldi entre 1974 e 1977, nas mãos da Dirección de Inteligencia Nacional (Dina), a polícia secreta de Pinochet.

O ex-ditador, de 90 anos, se livrou por mais de uma vez de enfrentar até o final os julgamentos por violações dos direitos humanos e delitos financeiros, argumentando deterioração de sua saúde e desconhecimento dos atos perpetrados por seus ex-agentes. De fato, o juiz admitiu que “em muitas respostas ele me disse não me lembro”.

Sob o governo de Pinochet, mais de 3.000 pessoas morreram ou “desapareceram”, enquanto outras 28.000 sofreram torturas por parte dos aparatos repressores, que foram coordenados basicamente pela Dina.

No sábado, Bachelet e sua mãe visitaram Villa Grimaldi, que foi reformada após a volta da democracia e agora é um parque “pela paz”.