Pilotos rejeitam proposta de rodízio nas equipes da Fórmula 1

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Publicado quinta-feira, 10 de outubro de 2002 as 17:18, por: cdb

Depois da idéia de se pôr peso adicional nos carros mais velozes para “frear” os (muito) mais velozes, os dirigentes da Fórmula 1 estão discutindo a possibilidade de implementar um plano de rodízio de pilotos englobando todas as escuderias, a partir da próxima temporada, e essa proposta, ainda não oficializada, já ganhou o repúdio dos principais envolvidos – aqueles que competem nas pistas.

Essas duas propostas e outras que estão sendo ventiladas nos últimos dias visariam a impedir a hegemonia de uma equipe na Fórmula 1, a exemplo do que está acontecendo na atual temporada, com a Ferrari, do pentacampeão Michael Shumacher e do vice Rubens Barrichello.

Os chefes da escuderia já enviaram uma lista de sugestões – algumas mais radicais do que outras – a fim de ser debatida numa reunião a ser realizada nas próximas semanas entre os dirigentes da Fórmula 1 e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

De acordo com a proposta de rodízio, o piloto que estiver liderando o campeonato depois de 10 corridas teria que escolher por quais outras sete escuderias competiria no resto da temporada.

Eddie Irvine, da Jaguar, classificou essa idéia de “impraticável”.

“Imagina como ficaria a imagem da Ferrari se Michael pilotasse uma Minardi no Grande Prêmio de Mônaco!”, disse. “Isso não tem sentido”.

“Mas são só pessoas lançando idéias, o que é justo”, acrescentou. “Talvez alguém apareça com alguma coisa boa”.

Juan Pablo Montoya disse ter aceitado pilotar para a Williams por acreditar que esta seria a melhor escuderia.

“Se o melhor que você pode encontrar é a Minardi, então vá em frente”, afirmou o colombiano. “Mas se você acaba assinando com uma equipe como a Williams e pilota para eles (Minardi), isso seria absurdo”.

“Será que os patrocinadores gostariam disso? O que eles vão promover?”, acrescentou.

Queda na audiência

Com o campeonato de 2002 já definido antecipadamente, a audiência das corridas de Fórmula 1 nas tevês despencou.

A Ferrari, que já garantiu seu tetracampeonato no mundial de construtores, ganhou 14 das 16 corridas disputadas neste ano. O GP do Japão, o último da temporada, pode lhe proporcionar sua décima quinta vitória no ano.

Alguns pilotos sugerem que uma solução mais aceitável seria dividir com mais “justiça” entre as escuderias a renda obtida com as transmissões das corridas pela televisão.

Outros dizem ainda que um dos problemas, nesta temporada, é a decisão da Ferrari de interferir na ordem de chegada de seus dois pilotos, o que aconteceu, claramente, em pelo menos duas corridas: o GP da Áustria e o GP dos EUA, o que acabou por esvaziar o interesse da torcida na competição.