PF quer saber quem contratou taxi aéreo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 7 de novembro de 2006 as 15:25, por: cdb

O delegado da Polícia Federal Diógenes Curado toma nesta terça-feira, em Campo Grande (MS), os depoimentos do piloto Tito Lívio Ferreira Júnior e do dono da empresa de táxi aéreo MS, Arlindo Dias Barbosa. O objetivo é descobrir quem contratou o vôo que levaria de São Paulo até Cuiabá, em 15 de setembro, o R$ 1,75 milhão para a compra do dossiê antitucano, que seria adquirido por petistas.

O vôo foi abortado porque o dinheiro acabou sendo apreendido pela PF na manhã daquele dia, em poder dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, no Hotel Ibis Congonhas, em São Paulo, quando eles se preparavam para o embarque. Do dinheiro apreendido, parte era em dólares – US$ 248,8 mil.

Em depoimento, o empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia das sanguessugas, disse que o dinheiro pelo pagamento do dossiê chegaria até ele num vôo fretado, a fim de evitar os riscos do transporte num avião de carreira.

O rastreamento telefônico feito pela PF nos aparelhos usados por petistas acusados de envolvimento na compra do dossiê constatou várias ligações de Valdebran nos dias anteriores à prisão. Identificou também três ligações do piloto Tito Lívio no dia 13 de setembro e uma no dia 14. A PF desconfia que eram para ultimar os detalhes do embarque do R$ 1,75 milhão. No depoimento, Vedoin disse que a sua fatia era de R$ 1 milhão.

A PF quer saber também para onde iria o restante do dinheiro, qual era o grau de envolvimento da empresa de táxi aéreo no esquema e quanto custaria o frete do avião. A esperança do delegado Curado é obter alguma pista das peças que faltam para fechar o quebra-cabeça da origem do R$ 1,75 milhão.

Já se sabe que uma parcela dos US$ 248,8 mil saiu da casa de câmbio Vicatur, de Nova Iguaçu, no Rio, que usou uma família de laranjas para realizar a operação.A grande dificuldade é identificar a origem dos reais – R$ 1,16 milhão.

Na quinta-feira a PF ouvirá novamente Vedoin para esclarecer as últimas dúvidas a respeito do esquema de pagamento de propina a parlamentares na compra de ambulâncias superfaturadas com dinheiro do Orçamento da União e também sobre o balcão de negócios que o empresário teria montado para vender dossiês envolvendo políticos na máfia. A seguir, a PF deve começar a definir os artigos em que serão indiciados os envolvidos no escândalo do dossiê.