PF prende 31 acusados de falsificar passaporte

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2007 as 21:49, por: cdb

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quarta-feira 31 pessoas acusadas de pertencerem a uma quadrilha que há 14 anos vende nacionalidade brasileira para estrangeiros, em especial libaneses. Pelo menos dois agentes da PF seriam coniventes: José Francisco Ferreira e Marco Antônio Gonçalves, que trabalham em Niterói. Aposentado há cinco meses, Gonçalves passou a trabalhar com a deputada federal Solange Almeida (PMDB-RJ). Ele foi afastado do cargo ontem. A PF suspeita que três aeronaves apreendidas durante a operação Biblos pertençam a Gonçalves.

A quadrilha era comandada pelo libanês Souheil Chahdam Mounzer, ex-funcionário do consulado do Líbano. Há 25 anos no Brasil, ele mora em São Gonçalo, cidade vizinha a Niterói, na região metropolitana. Com Mounzer trabalhavam três irmãos. Nabil e Elie, que moram no País, também foram presos nesta quarta. O terceiro vive no Líbano, onde procura clientes e cuida da remessa do dinheiro recebido, cerca de R$ 15 mil por cada documento falsificado.

A PF, que mobilizou cerca de 300 agentes, não sabe ainda quantas pessoas se beneficiaram do esquema, mas alertou a Interpol sobre 70 passaportes brasileiros com dados falsos que estão em poder de estrangeiros. Alguns beneficiários que moram no Brasil, cujos nomes não foram divulgados, foram presos hoje. Outros já tinham sido presos antes, como o egípcio Pierre Geris Elageb e o colombiano Jairo Adolfo Nunes. Ambos são acusados do tráfico de drogas e ao serem detidos, respectivamente no Ceará e no Rio, estavam com passaportes brasileiro falsificados.

Entre as 31 pessoas presas estão os advogados Rogério da Silva Fádel, Jamil Aziz El Warrak e Marcos Cezar Loureiro Dias. Na relação estão 14 mulheres que se dispuseram a casar com estrangeiros em troca de R$ 1,5 mil ou emprestaram os nomes dos filhos para que os estrangeiros assumissem a paternidade. O superintendente da PF no Rio, Delci Teixeira, admite a possibilidade do envolvimento de outros policiais. Todos os processos de nacionalização de estrangeiros realizados pela delegacia de Niterói nos últimos 14 anos serão investigados.

Há rumores de que dois dos passaportes falsificados estariam em poder de “terroristas árabes”, mas o superintendente Teixeira e o delegado Pereira foram enfáticos ao negarem tal fato.