PF pedirá prorrogação das investigações amanhã

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Publicado quinta-feira, 19 de outubro de 2006 as 17:35, por: cdb

O delegado da Polícia Federal Diógenes Curado Filho vai encaminhar, nesta sexta-feira, o relatório parcial das investigações sobre a compra de dossiê contra políticos tucanos. A polícia já adiantou que, junto com o documento, pedirá um mês de prorrogação para a conclusão das investigações ao juiz da 2ª Vara de Justiça Federal no Mato Grosso, Jefferson Schneider. O prazo dado pela Justiça Federal termina nesta quinta-feira.

A expectativa da Justiça é que ao menos parte da origem do dinheiro seja revelada antes das eleições, mas a PF diz não saber se isso será possível. A principal meta da PF é descobrir a origem de aproximadamente R$ 1,7 milhão que seria usado por petistas e ex-funcionários da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição para comprar informações do empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, acusado de ser um dos operadores do esquema de fraudes.

A polícia trabalha com várias hipóteses. Desde a semana passada, após uma reunião com o delegado da PF responsável pelo caso, integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Sanguessugas defendem a versão de que o dinheiro tenha origem no jogo do bicho.

Como grande parte da quantia era formada por notas de pequeno valor, separadas em montes de cem notas de R$ 10, um dos sub-relatores da comissão, o deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE), afirma que o dinheiro possa “ter vindo do comércio, de casas lotéricas ou do jogo do bicho”. Nesta quinta-feira, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), também membro da CPI, voltou a defender a hipótese. A polícia não confirma a informação.

A PF já descobriu que os dólares vieram do Banco Central americano para o banco Sofisa, em São Paulo, e que, de lá, o dinheiro passou para 20 casas de câmbio e doleiros, além de pessoas físicas e empresas.

A principal dificuldade, segundo a PF, é o fato de haver muitas movimentações, grande parte delas em nome de “laranjas” ou de pessoas fantasmas (inseridas no sistema bancário com dados falsos). As operações feitas com doleiros, na maioria das vezes, são ilegais, fator que dificulta mais ainda o rastreamento do dinheiro.

Segundo o deputado petista Rubem Santiago, a Polícia Federal pediu ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que investigasse todos os saques acima de R$ 100 mil feitos até um mês antes da apreensão do dinheiro, cerca de 200 mil saques. O saque, entretanto, poderia ter sido feito num período anterior.

– É difícil que não seja (dinheiro) ilegal, mas não existem provas disso -, explica.