PF investiga senador Ronaldo Caiado após denúncia cifrada

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Publicado sexta-feira, 24 de junho de 2016 as 13:01, por: cdb
Atualizado em 25/06/16 15:06

Tramita, sob alto sigilo, na Polícia Federal (PF) a denúncia de que o senador por Goiás Ronaldo Caiado seria dono oculto de empresa que internaliza recursos remetidos por brasileiros na Austrália

 

Por Redação – de Brasília, Goiânia e Sydney

 

Alvo de uma série de denúncias, nos últimos dias, o senador goiano Ronaldo Caiado (DEM) — líder da extrema direita no Congresso — está na alça de mira do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Nota divulgada pelo ex-senador Demóstenes Torres há mais de um ano, mas que volta pelas redes sociais, nesta sexta-feira, soma-se às suspeitas de que Caiado teria recebido recursos ilícitos de um esquema de lavagem de dinheiro que passa por empresas em Londres e Sydney, na Austrália. As denúncias teriam chegado à Polícia Federal (PF), em março de 2015, logo após a divulgação das ameaças de Torres. As empresas envolvidas estariam em operação desde 2007.

Caiado
O senador alega que o prédio em questão não é o local fixo de trabalho da servidora Meiry

Tramita na PF, sob alto sigilo, denúncia de que o senador por Goiás seria dono oculto de empresa que internaliza recursos remetidos por brasileiros na Austrália às famílias, a maioria delas residente em Goiás. O possível vazamento dessa informação para Torres seria a base da ameaça cifrada, reaberta nesta manhã:

“Essa madrugada fez Ronaldo perder a voz, mas o decorrer dos dias próximos o fará perder o mandato”, profetiza Torres. “A partir de agora a Justiça vai resolver a minha situação e a dele. Reafirmo tudo o que disse. A minha agonia está no fim e a de Ronaldo Caiado apenas se iniciando. Tenho dito”, acrescentou o ex-senador, no documento classificado em março do ano passado, mas ainda atual.

 

Caiado x Demóstenes: briga antiga

Demóstenes Torres, logo após a perda do mandato em 2011, no Senado, acusou o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado por associação ao contraventor Carlos Cachoeira nas campanhas que disputou à Câmara Federal nos anos de 2002, 2006 e 2010. Segundo Demóstenes, as digitais da contravenção seriam facilmente identificadas com uma investigação nas contas de material gráfico, de transporte aéreo e de gastos com pessoal. Na época, afirmou dispor de novas denúncias contra Caiado.

O senador ruralista refutou as acusações, mas não impediu que Torres seguisse com as denúncias. Demóstenes Torres contou que Caiado era amigo de Cachoeira e médico do filho do contraventor, investigado na Operação Monte Carlo da PF, deflagrada em 2012, e que resultou na cassação de Demóstenes e na CPI do Cachoeira, mas não obteve qualquer resultado prático.

— Ronaldo fazia, sim, parte da rede de amigos de Carlos Cachoeira. Era médico de seu filho. Mas não era só de amizade que se nutria Ronaldo Caiado, peguem as contas de seus gastos gráficos, aéreos e de pessoal, notadamente nas campanhas de 2002, 2006 e 2010, que qualquer um verá as impressões digitais do anjo caído. Siga o dinheiro — recomendou Torres.

Investigadores da PF que seguiram o conselho de Demóstenes, ao longo de mais de um ano, teriam chegado à capital australiana, segundo informou uma fonte à reportagem do Correio do Brasil, residente em Sydney, acerca do possível envolvimento do senador em um esquema gigantesco de lavagem de dinheiro. Demóstenes também citou, em pronunciamento no ano passado, o suposto “esquema goiano” que também teria financiado a campanha do presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), e outros integrantes da chapa, que elegeu ao governo potiguar a então senadora Rosalba Ciarlini.

— Caiado não ousou me defender, me traiu, mas, em relação a Agripino Maia, figura pouquíssimo republicana, disse que ele merece o benefício da dúvida. Poucos sabem, mas o político potiguar e seus companheiros de chapa em 2010 foram beneficiados pelo ‘esquema goiano’, com intermediação de Ronaldo Caiado — disse Demóstenes.

E fez outras ameaças:

— Me deixe em paz, senador. Continue despontando para o anonimato. É o seu destino. Não me move mais interesses políticos. Considero vermes iguais a você Marconi Perillo e Iris Rezende. Toque sua vida, se fizer troça comigo novamente não o pouparei. Continue fingindo que é inocente e lembre-se que não está na sarjeta porque eu não tenho vocação para delator — concluiu.

Matéria revisada às 15h02 deste sábado, para acréscimo de dados.

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