PF inicia caça aos grileiros no Pará

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005 as 10:17, por: cdb

A Polícia Federal vai agir no Pará para diminuir a violência e os assassinatos nos conflitos de terra, podendo inclusive usar o serviço de inteligência para investigar os casos. O anúncio foi feito pelo ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, durante audiência pública que debateu com sindicalistas, trabalhadores e produtores rurais a reforma agrária no Pará.

O encontro foi realizado no município de Rondon do Pará, considerado um dos mais violentos do país nas questões agrárias.

– Há conflitos sérios aqui entre posseiros, proprietários de terra, produtores rurais e sem-terra – afirmou o chefe da Divisão de Assuntos Sociais e Políticos da Polícia Federal, delegado Valdir Caetano.
Ações

A PF vai agir em casos de ameaças, lesões corporais ou assassinatos.

– Um assassinato não solucionado não é atribuição da PF, mas se a polícia estadual solicitar ajuda, podemos entrar com equipamento, pessoal ou investigação – explicou o delegado.

– Não queremos mais mortes sem leis, não podemos admitir impunidade – disse o ministro dos Direitos Humanos. – A PF vai cooperar também no cumprimento dos mandados de prisão. Temos informações de que há mandados que não foram cumpridos pela necessidade do estado de comunicação e localização.

Valdir Caetano lembrou que se houver violência de um lado, a PF vai tomar as medidas.

– Não interessa que lado seja. Se houver determinação, por exemplo, de reintegração de posse de uma fazenda será negociado com os sem-terra que estiverem ali para convencê-los a sair pacificamente. Se isso não prevalecer, iremos usar a força necessária – ressaltou.

Reunião

Fazendeiros, produtores, trabalhadores rurais, sem-terra, sindicalistas, representantes de movimentos sociais e do governo federal sentaram-se ontem à mesa para discutir a reforma agrária na região. Segundo estimativa da Polícia Militar, mais de mil pessoas participaram da audiência pública.

– Creio que este dia será um marco na história do Pará, será o antes e o depois da audiência – afirma o ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Durante o encontro, el foi informado de que, a partir de agora, as federação dos Produtores e dos Trabalhadores farão juntas outras reuniões. O objetivo da audiência de ontem foi tentar diminuir a violência e as mortes por conflitos de terra.

Segundo o coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista, “nos últimos 30 anos ocorreram mais de 700 assassinatos no Estado”. Só em Rondon, nos últimos três anos, tivemos o assassinato de duas lideranças importantíssimas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura”, afirma o coordenador. Para ele, “esta violência é causada pela falta de uma política pública mais eficaz, há uma demora do Incra de desapropriar terras e assentar famílias”, reclamou.