PF acredita que dólares foram sacados no Rio, Florianópolis e SP

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Publicado segunda-feira, 23 de outubro de 2006 as 18:23, por: cdb

Investigações da Polícia Federal apontam que os US$ 248,8 mil que seriam usados por militantes do PT para a compra de um dossiê contra tucanos, podem ter vindo de três casas de câmbio. Uma, em São Paulo; outra, de Santa Catarina e ainda outra, do Rio de Janeiro. O dinheiro faz parte do montante de R$ 1,75 milhão, apreendido com dois petistas em 15 de setembro passado, num hotel em São Paulo, destinado ao pagamento do dossiê para prejudicar candidaturas do PSDB.

A Polícia Federal passou a investigar a casa de câmbio Vicatur, na Baixada Fluminense, depois que descobriu que pessoas pobres de uma mesma família compraram moeda americana aqui, pouco antes da prisão dos petistas acusados de tentar comprar o dossiê. A investigação sobre a outra casa de câmbio, situada em São Paulo, surgiu por causa da venda de US$ 110 mil para uma empresa fantasma.

Já a casa de câmbio de Florianópolis teve o sigilo quebrado por causa de uma denúncia recebida pela CPI das sanguessugas. A suspeita é de que Jorge Lorenzetti, ex-chefe da área de inteligência da campanha de Lula, tenha comprado aqui 150 mil dólares .

A empresa do Rio suspeita de envolvimento na distribuição de parte dos dólares apreendidos pela Polícia Federal teria cadastro “sujo” no Banco Central e já teria sido denunciada pelo Ministério Público do Rio por operar com um cadastro de pessoas físicas fictícias ou “laranjas”.
Muitas delas eram pessoas humildes que sequer sabiam que seus nomes eram utilizados em transações financeiras, segundo a denúncia do Ministério Público. A PF pretende interrogar também os compradores dos dólares na agência.

Os delegados da PF Diógenes Curado e Luiz Flávio Zampronha, que atuam no caso, recusaram-se a confirmar os nomes das agências. O dinheiro distribuído pela casa de câmbio do Rio, segundo fontes policiais, foi adquirido em lotes de valores variados por um grupo de pessoas, provavelmente da mesma família, também usadas como “laranjas”.

A operação chamou a atenção das autoridades porque a família é de origem humilde e talvez sequer soubesse que seu nome foi usado no esquema.

Ao circular, o dinheiro norte-americano deixou pistas desde que saiu da Casa da Moeda dos Estados Unidos até ser apreendido em poder dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, num hotel de São Paulo.

Peritos da PF estão cruzando dados bancários e telefônicos para fechar o cerco sobre a origem tanto dos dólares como da soma de R$ 1,16 milhão encontrada com os dois petistas.