Petrobras tem até o meio-dia para evitar greve dos petroleiros

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Publicado quarta-feira, 22 de outubro de 2003 as 10:37, por: cdb

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) deu um ultimato até o meio-dia desta quarta-feira para que a Petrobras apresente uma nova proposta que chegue ao reajuste salarial de 15,5%, antes de iniciar a greve de 72 horas. A reunião entre sindicalistas e executivos da estatal se estendeu por cerca de quatro horas ontem. O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, em tom mais conciliador, admitiu, no início da tarde de terça, rever pontos da proposta feita aos petroleiros para tentar evitar a paralisação.

Dutra deu a entender, porém, que o índice de 10,7% não será modificado. Ele chegou a afirmar, enquanto transcorria o encontro de negociação, que a empresa oferece de fato cerca de 15% de aumento, considerando-se o aumento de um nível na carreira de cada empregado.

“A proposta não se resume ao índice e acreditamos que possamos fazer ajustes em relação ao conjunto das propostas e talvez ainda hoje a gente tenha alguma modificação”, disse o ex-sindicalista a jornalistas após palestra no Clube de Engenharia. “A greve é um instrumento legítimo quando não há acordo, mas aposto na possibilidade de um acordo”, declarou.

Recém-saídos de uma paralisação de 24 horas em 10 de setembro, quando conseguiram adesão parcial, os petroleiros pretendem desta vez pressionar a empresa com parada de produção, como ocorreu em outubro de 2001, quando a Petrobras teve queda de 9% no volume produzido em uma greve de cinco dias. Desta vez, se a paralisação acontecer, a Petrobras pode deixar de produzir cerca de 1,8 milhão de barris de óleo por dia.

A categoria reivindica reposição da inflação do período (setembro de 2002 a agosto de 2003) pelo ICV-DIEESE de 15,5% e aumento real de 6,8% de produtividade. Na pauta de reivindicações, os petroleiros pedem ainda o fim da terceirização e a recomposição dos efetivos próprios da empresa, além de questões de ordem política como a reintegração dos demitidos nas greves de 1994 e 1995 e cancelamento de todas as punições praticadas contra os trabalhadores. Se a empresa não avançar nas negociações, será decretada a greve, informou a FUP em comunicado na segunda-feira.

Em 10 de setembro, os petroleiros realizaram greve de 24 horas para alertar a empresa, sem parada de produção, e o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, ex-sindicalista, disse que faria uma proposta “irrecusável”, acenando com os 10,7%.

A pior greve da Petrobras ocorreu em 1995, quando a categoria parou por 32 dias, trazendo problemas de abastecimento de derivados de petróleo, multas aos sindicatos e demissões.