Petrobras revisa US$ 28 bilhões em projetos previstos até 2016; Graça Foster nega corte

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Publicado segunda-feira, 25 de junho de 2012 as 15:50, por: cdb

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Para reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência, a Petrobras anunciou que estão em avaliação 147 projetos de exploração e de produção, de um total de 980, segundo consta do Plano de Negócios 2012-2016. O documento foi apresentado hoje (25) pela presidenta da estatal, Graça Foster, e pela sua diretoria, na sede da empresa.

De acordo com o documento, os projetos somam US$ 236,5 bilhões, dos quais US$ 27,8 bilhões passam por uma revisão. Mais da metade são da área de Abastecimento e Refino (US$13,9 bilhões) e 21% são do etor de Gás e Energia (US$ 6 bilhões). Mais 17% dos projetos em análise são da área de Exploração e Produção Internacional, que somam US$ 4,6 bilhões.

“Nenhum projeto foi retirado [do plano de negócios], não teve corte”, assegurou a presidenta, Graça Foster. “Estamos reavaliando”, completou, ao explicar que não pode divulgar os cronogramas de instalação de plantas como a da Refinaria do Nordeste, em Pernambuco, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) previstos anteriormente para 2014.

“Não é avaliar se vai fazer ou não. Isso não se discute. A gente vai fazer sim porque precisa dessas refinarias”, acrescentou. “As refinarias são essenciais, mas eu preciso saber quanto custam e quanto eu já fiz. Só depois dessa avaliação, teremos de forma detalhada a entrada do primeiro trem [conjunto de plantas]. Até lá, ninguém está autorizado a falar”, enfatizou.

O Plano de Negócios da Petrobras destaca que, na fase de avaliação, serão levados em conta a viabilidade de cada projeto, a disponibilidade de recursos, o alinhamento dos custos das novas refinarias e a disponibilidade de gás natural para plantas de fertilizantes e novas termelétricas, por exemplo. “Outras variáveis” de interesse da empresa não foram descartadas.

Segundo a presidenta da estatal, a prioridade no período do plano é a área de óleo e gás, cuja meta de produção no Brasil e no exterior, até 2016, é 3,3 milhões de barris por dia. O maior crescimento é esperado entre 2014 e 2016, com a revisão da eficiência operacional na Bacia de Campos e a entrada em operação de novas unidades no pré-sal, principalmente.

Pela primeira vez com mais recursos que o pós-sal, o pré-sal tem destaque na estratégia da Petrobras no período do plano. A empresa receberá 49% (US$ 43,7 bilhões) do total previsto para investimentos na área de produção (US$ 89,9 bilhões), dos US$ 236,5 bilhões totais do plano de negócios para serem gastos até 2016.

Perguntada sobre o impacto das discussões da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, na política da estatal, Graça Foster disse que está atenta às questões ambientais. Ela, no entanto, não comentou sobre a redução de subsídios para o petróleo, um dos temas do encontro, pelo fato de o combustível ser considerado poluente.

Hoje, o governo zerou o imposto sobre combustíveis, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), depois de a Petrobras reajustar em 7,83% a gasolina e em 3,94% o diesel. A decisão do governo é considerada uma forma de subsídio e busca evitar o impacto do aumento no bolso do consumidor e, consequentemente, na inflação.

“Acho que a Rio+20 cumpriu seu objetivo. Fui lá falar três vezes. A Petrobras tem uma preocupação com a sustentabilidade, com a eficiência energético e com o ambiente. Afinal, é dele que a gente vive”, disse a presidenta da petrolífera.

Edição: Lana Cristina