Petrobras fecha quarto mês de queda na produção

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Publicado sexta-feira, 24 de janeiro de 2003 as 13:29, por: cdb

Após registrar recordes seguidos, a Petrobras encerrou dezembro passado acumulando o quarto mês seguido de queda na produção e extraindo menos petróleo e gás natural do que o observado em dezembro de 2001. Segundo dados da estatal, a empresa extraiu 1,691 milhão de barris de petróleo no mês passado, o que significa queda de 4,94% em relação ao observado em dezembro de 2001 e de 9,5% abaixo do recorde registrado em agosto, quando a produção de petróleo somou 1,863 milhão de barris.

No acumulado do ano, porém, os números do ano passado foram positivos, com a média diária oscilando em torno de 1,535 milhão, com aumento de 10,7% sobre a média de 2001. A maior redução na produção foi na bacia de Campos, onde a estatal extraiu 1,265 milhão de barris por dia em agosto e apenas 1,098 milhão no mês passado. A bacia de Campos é responsável pela produção de cerca de dois terços do petróleo extraído pela Petrobras.

A extração de gás natural em dezembro registrou o menor nível desde novembro de 2001. No mês passado a empresa extraiu 41,782 milhões de metros cúbicos por dia, o que significa queda de 4,10% em relação a dezembro de 2001. No acumulado do ano a média do ano passado ainda foi positiva, registrando 43,943 milhões de metros cúbicos, com expansão de 7,1% sobre a média de 2001.

Os dados da Petrobras mostram que o aumento da produção tem sido mais acentuada no exterior com expansão de 58%, com a média diária saltando para 4,82 milhões de metros cúbicos. Na bacia de Campos, de onde a estatal extrai 38% do gás natural da estatal, houve recuo de 15,21% na extração de gás natural no mês passado, em relação ao mesmo mês de 2001.

Venezuela
A instabilidade política na Venezuela colocou em “banho-maria” um dos projetos que inspira maior otimismo na Petrobras: a ampliação da presença da maior empresa brasileira no país que tem as maiores reservas de petróleo das Américas. Isso se tornou possível após a compra da argentina Perez Companc, no ano passado, já que a empresa brasileira nunca conseguiu um bom relacionamento comercial com a estatal venezuelana, a PDVSA.

A Pecom, porém, é dona de direitos de exploração de diversos campos na Venezuela e a Petrobras imagina que poderá acelerar a produção naquele país. Para isso, porém, terá de aguardar a aprovação definitiva da operação de compra da Pecom pelo governo argentino e o fim da instabilidade contra o governo de Hugo Chavez.

A Venezuela contabiliza reservas provadas de petróleo de 78 bilhões de barris, mais do que o dobro dos 30 bilhões dos Estados Unidos, que ocupam a segunda posição nas Américas. O México ocupa a terceira posição, com 27 bilhões de barris, enquanto o Brasil, tinha 8,5 bilhões de barris de petróleo de reservas provadas no final de 2001. O Canadá tinha 6,6 bilhões de barris e a Argentina, na sexta posição, registrava reservas provadas de apenas três bilhões de barris.

A ampliação da produção na América Latina faz parte do planejamento estratégico da Petrobras, que praticamente não tem mais “espaço” para crescer no Brasil. A Agência Nacional do Petróleo (ANP), pelo menos até o governo passado, vinha exercendo estreita vigilância sobre a maior empresa brasileira tentando viabilizar algum grau de competição no mercado externo, já que a Petrobras ainda detém, de fato, o monopólio de extração de petróleo e de refino no Brasil, com cerca de 98% da capacidade instalada.

África
Outra região vista como “promissora” pela estatal brasileira é a África. Nesse caso a Petrobras dispõe de algumas vantagens estratégicas relevantes. Os estudos geológicos indicam que os continentes da América do Sul e da África já foram um só há milhões de anos, o que indica fortes possibilidades de haver petróleo na costa africana, assim como tem se observado no Brasil. A vantagem adicional é que a Petrobras desenvolveu a tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas até 2.000 metros abaixo da lâmina d´água do mar, o que lhe garante vantagens competitivas frente às