Petrobras faz críticas a ANP

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Publicado quarta-feira, 12 de março de 2003 as 22:32, por: cdb

A Petrobras divulgou nota oficial sobre a descoberta de petróleo na bacia de Sergipe. No comunicado, a estatal critica duramente a Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas confirma que o campo descoberto pode conter petróleo, sem estimar o volume comercialmente viável. Eis a íntegra da nota:

“Em relação às recentes notícias sobre descoberta de petróleo na bacia de Sergipe-Alagoas, a Petrobras vem a público fazer os seguintes esclarecimentos:

A legislação vigente obriga a Petrobras a comunicar à ANP, com 20 dias de antecedência, qualquer perfuração de poço para prospecção de petróleo que venha a ser feita. E, desde o ano passado, a ANP exige que seja enviado, junto com a Notificação de Perfuração de Poço (NPP), um resumo do prospecto a ser perfurado, informando qual é a avaliação da empresa sobre a probabilidade de sucesso e qual é a expectativa em relação ao volume de óleo a ser encontrado na área. Ressalte-se que esta informação é enviada à ANP antes da perfuração do poço.

Em 11 de novembro de 2002, a Petrobras enviou à ANP a NPP relativa ao poço 1-SES-147, o primeiro a ser perfurado naquela área da Bacia de Sergipe-Alagoras. O resumo do prospecto que acompanha a notificação informa que a Petrobras testaria dois objetivos exploratórios, em níveis diferentes de profundidade. Somados, estes dois intervalos ensejavam uma expectativa de descoberta de óleo ‘in place’ de 300 milhões de metros cúbicos (aproximadamente 1,9 bilhão de barris) de óleo. Com base neste volume, projetou-se a possibilidade geológica da existência de uma reserva mínima da ordem de 60 milhões de metros cúbicos (370 milhões de barris) de óleo. É necessário esclarecer que, em média, apenas de 20% a 30% do volume de óleo ´in place´ confirma-se como reserva, ou seja, pode ser extraído.

Durante a perfuração do poço pioneiro verificou-se, contudo, que apenas o intervalo superior revelava a presença de óleo (cujos volumes encontram-se ainda em fase de avaliação). A perfuração do objetivo mais profundo resultou na constatação de ausência de óleo naquele intervalo e frustrou as expectativas inicias de volume de óleo ‘in place’, reduzindo drasticamente a projeção em relação às estimativas iniciais. As informações relativas ao resultado da perfuração foram comunicados à ANP em 14 de janeiro deste ano.

Em 17 de janeiro de 2003, a ANP foi notificada da segunda perfuração naquela área, em uma estrutura geológica adjacente (4-SES-149), com suas respectivas avaliações probabilísticas e expectativas de volume de óleo ‘in place’. Este segundo poço onde foi constatada a presença de óleo encontra-se em fase final de perfuração. A dimensão dos volumes descobertos ainda está em processo de avaliação. A notificação dessa descoberta foi feita à ANP no dia 6 de março de 2003 e recebida pela agência no dia 10 de março.

A ANP divulgou para a imprensa essa descoberta de forma confusa e incorreta, mesclando informações sobre expectativas iniciais da primeira perfuração estimadas antes mesmo da perfuração do poço com dados mais concretos enviados à agência sobre os resultados da perfuração no segundo poço.

Em sua comunicação à imprensa, a ANP levou a uma interpretação equivocada dos dados disponíveis, na medida em que se referiu aos volumes potenciais (‘in place’) como se tratando de reservas de petróleo explotáveis. Ademais, o volume inicialmente esperado de óleo ‘in place’ também não se confirmou por ocasião da perfuração.

A Petrobras não tornou públicas tais informações porque não foram concluídos os estudos sobre o volume de óleo explotável e a viabilidade econômica da reserva, mantendo a mesma conduta adotada em descobertas anteriores.”