Pesquisa mostra desânimo na indústria para o ano que vem

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 22 de novembro de 2005 as 12:57, por: cdb

Os empresários do setor de indústria estão menos otimistas com o rumo dos negócios para o ano que vem do que este ano. De acordo com a pesquisa divulgada nesta terça-feira, pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), das 1.015 empresas entrevistadas 38%, ou seja, 386 empresas, planejam aumentar os investimentos em máquinas e equipamentos no próximo ano. No ano passado esse percentual chegou a 52%, o equivalente a 528 empresas.

A pesquisa foi realizada pelo quarto ano consecutivo com o objetivo de conhecer as expectativas das indústrias para o próximo ano no que diz respeito a seis itens. Os dados revelaram que todas as projeções foram inferiores às de 2004. Apesar da queda no otimismo em todos os itens pesquisados, os empresários que apostam em melhora são mais numerosos do que os que prevêem que a situação vai piorar. Sobre o faturamento, a parcela dos que acreditam no aumento dos lucros, já descontada a inflação, é de 72%. No ano passado, o percentual foi de 83%. O setor de bens de capital é o mais pessimista. Além disso, aumentou de 3% para 9% o número de empresas que projetam uma redução no volume de vendas em 2006.

O levantamento foi realizado entre os dias 29 de setembro de 2005 a 28 de outubro de 2005, junto às empresas de 24 estados. Elas foram responsáveis por 25,5% das exportações e registraram um faturamento de R$ 475.075,4 milhões em 2004.

Exportações

Se depender da opinião dos industriais, o nível de crescimento das exportações em 2006 terá desaceleração ou uma leve queda em relação a este ano. A Sondagem Conjuntural da Industria de Transformação indica que 53% das empresas projetam crescimento do valor exportado contra os 63% que apostavam em melhora em 2004. Esse foi o pior resultado desde 2002.

O setor de bens de capital (indústria que fabrica máquinas e equipamentos para a indústria), responsável por 49% das vendas para o exterior, fez a projeção menos favorável para o ano que vem: o otimismo caiu de 91% em 2004 para 16%. No setor de bens intermediários (os que entram na fabricação de outros bens), que responde por 22% das exportações, a parcela dos que esperam uma melhora nas vendas caiu. Em compensação, diminuiu de 19% para 11% o número de empresários que prevêem diminuição nas exportações, no mesmo período.

No que diz respeito às importações, a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que nem mesmo a valorização cambial dos últimos meses foi capaz de melhorar os prognósticos dos industriais. No ano passado 43% fizeram projeção otimista, mas o percentual caiu para 29% na última pesquisa e atingiu todos os setores de produção.