Pesquisa identifica 63 organizações de sem-terra

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Publicado quarta-feira, 7 de junho de 2006 as 14:22, por: cdb

O Núcleo de Estudo, Pesquisa e Projetos de Reforma Agrária da Universidade Estadual Paulista (Unesp) fez recentemente um estudo sobre os movimentos de trabalhadores rurais sem terra no Brasil. Foram identificadas 63 organizações no setor.

O levantamento revelou, no entanto, que metade dos sem-terra, cerca de 50 mil famílias, está reunida em torno do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), responsável pelos atos de violência na Câmara, na terça-feira,  foi considerado “pequeno” pelos pesquisadores.

– O MLST reúne famílias que tem atuado basicamente em Minas, São Paulo e no Rio Grande do Norte. É diferente do MST que atua em todo o Brasil – explicou o coordenador do núcleo da Unesp, Bernardo Mançano Fernandes, em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.

Segundo ele, a atuação com violência precisa ser analisa porque não faz parte da tradição de manifestações das famílias e militantes do MLST.

Para Fernandes, os últimos governos não têm conseguido atender as reivindicações feitas pelos trabalhadores rurais sem terra. Na opinião dele, o Judiciário também estaria impedindo a reforma agrária, acatando o pedido de cancelamento dos decretos presidenciais que desapropriam áreas improdutivas.

O professor da Unesp lembrou que o Brasil demorou décadas para estruturar uma legislação própria para a reforma agrária. A primeira iniciativa nesse sentido teria sido o Estatuto da Terra, elaborado em 1964 pelos militares. Durante o governo do presidente José Sarney, foi criado o Primeiro Plano Nacional de Reforma Agrária, seguido em 1993 pela lei de Reforma Agrária.

Pelos cálculos de Fernandes, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, foram assentadas 500 mil famílias. No atual governo, estaria previsto o assentamento de 400 mil famílias.

– É muito provável o presidente Lula cumpra esta meta este ano ainda. Mas isso não atende à demanda. O desemprego tem aumentado, a mecanização no campo tem desempregado muita gente, vem aumentando cada vez mais o número de famílias sem terra – afirmou o pesquisador.