Perueiros deixam Prefeitura de Angra após ocupação

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Publicado segunda-feira, 2 de junho de 2003 as 19:58, por: cdb

Após mais de sete horas de ocupação da sede da Prefeitura de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, motoristas de vans encerraram o protesto contra a suspensão do transporte alternativo na cidade e se renderam nesta segunda-feira.

Os motoristas de vans, acompanhados de mulheres e filhos, invadiram o prédio da prefeitura, no litoral sul, e ameaçaram incendiar o local para que o prefeito Fernando Jordão os recebesse.

O motivo da invasão, com mais de cem pessoas, foi a suspensão no mês passado do transporte alternativo no município de Angra.

– Houve um começo de pânico, mas ninguém chegou a ser ameaçado. Eles só disseram que ninguém poderia trabalhar – disse o agente administrativo Edson Aguiar Teodoro, que estava trabalhando na hora da invasão.

Alguns funcionários foram feitos reféns, mas no início da tarde foram libertados. Os manifestantes espalharam gasolina pela sede da prefeitura para aumentar a pressão.

Mais de cem policiais cercaram o prédio da prefeitura e uma comissão foi destacada para negociar o fim do protesto. O serviço de eletricidade e água do prédio foi cortado.

“Só sairemos depois de conversarmos com o prefeito”, gritavam os motoristas de vans da sacada do prédio.

A assessoria do prefeito Fernando Jordão informou que ele não estava na cidade no início do protesto e classificou o episódio como um ato “terrorista”.

Durante a tarde o comissário da Justiça Emerson Fonseca esteve na sede da prefeitura e constatou que pelo menos 30 crianças participavam do movimento. Fonseca informou aos pais que eles poderiam ser punidos por colocar as crianças em situação de risco.

“Eles estão ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente”, declarou o comissário.

O prefeito disse enquanto retornava ao município depois um compromisso no Rio, que não haveria concessão para os motoristas invasores.

Ele obteve um mandato de reintegração de posse com um juiz da Comarca de Angra, mas a polícia não chegou a invadir o prédio.

– Nós não iremos fazer qualquer concessão. Eles querem é bagunça e não procuraram a regularização mesmo tendo tido prazo de mais de dois anos. Agora, há uma lei votada na Câmara Municipal de Angra proibindo o transporte alternativo e a lei terá que ser cumprida. O que eles querem é a desordem e a bagunça e agora é um caso de polícia – disse o prefeito.