Pegos de surpresa, passageiros da Vasp não conseguem embarcar

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 20:24, por: cdb

Desamparo. Esta palavra resume a situação nessa quinta-feira de passageiros e funcionários da Vasp, no primeiro dia de parada total da companhia. Logo cedo, passageiros do vôo 4264, de Guarulhos para capitais do Nordeste, foram pegos de surpresa pela notícia de que a empresa não voaria mais.

O comerciante Dario Santos teve um dia difícil. Ele vinha de ônibus de Curitiba para São Paulo, na terça-feira. No caminho, porém, a ponte da rodovia Régis Bittencourt desabou. “Havia só uns oito veículos entre a ponte e nós,” conta Santos. “O motorista pegou outro caminho e a viagem durou 13 horas.” Com isso, Santos perdeu o vôo da quarta-feira de manhã para Recife. Ligou no meio da madrugada para o 0300 da Vasp e conseguiu transferir sua passagem para hoje. “Eu estava tranqüilo, porque uma funcionária me ligou confirmando o vôo”, lembra Santos. “Agora comprei passagem da TAM e espero chegar em casa até sábado.”

As israelenses Shoni Verbel e Tami Saidman tiveram menos problemas. Elas chegaram de Buenos Aires na quarta-feira e compraram passagens na loja da Vasp para passar as férias em Salvador. Hoje de manhã, ficaram perplexas quando souberam que não iriam embarcar. “A vendedora não avisou que poderia haver greve”, disseram. Após muito insistirem, uma funcionária da Vasp verificou que o dinheiro das garotas ainda estava no caixa da loja e devolveu o valor pago. Shoni beijava as notas enquanto se dirigia a outra companhia.

O movimento era tão pouco que alguns funcionários jogavam paciência nos computadores. Em Congonhas, até companhias regionais, como Pantanal e OceanAir pareciam formigueiros de gente ao lado do guichê vazio da empresa paulista. As lojas da Vasp ainda estão abertas, mas não vendem passagens. “Estamos atendendo clientes que têm dúvidas e querem reembolso das passagens”, explicou uma atendente. Mas só é possível fazer o pedido, o reembolso não é feito na hora.

No teleatendimento da Vasp, porém, uma atendente falou ser possível comprar uma passagem para o dia 30. “Hoje e amanhã não há vôos. Agora, a partir do dia 30 está normal.” Segundo ela não havia risco de cancelamento.

Uma funcionária disse não saber o que está acontecendo na Vasp. “A gente só sabe o que sai nos jornais”, disse, e seus olhos se encheram de lágrimas. Segundo ela, os aeroviários estão com “os salários um pouco atrasados.” A situação dos aeronautas é ainda pior. Há quatro meses sem salário, um piloto também segurava o choro em frente à sede da Vasp. “Minha mulher está grávida e eu contava com o 13.º para acertar minhas contas. Por favor, alguém nos ajude.”

A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, espera marcar uma reunião com autoridades e credores da Vasp até a semana que vem. “Já tomamos as medidas jurídicas. Agora contamos com a sensibilidade do governo para buscar a solução.”