PDT prega a neutralidade mas a maioria vai votar em Lula

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Publicado terça-feira, 17 de outubro de 2006 as 11:10, por: cdb

A maioria do PDT vai recomendar o voto em Lula. Esta é a conclusão a que chegaram os analistas políticos consultados pelo Correio do Brasil, após uma série de manifestações de núcleos do partido instalados nas capitais brasileiras. A agremiação política fundada por Leonel Brizola optou, em reunião do Diretório Nacional, nesta segunda-feira, por manter a neutralidade no segundo turno das eleições e, portanto, a legenda não apoiará, oficialmente, nenhum dos dois candidatos à Presidência da Republica, Geraldo Alckmin (PSDB-PFL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PRB-PCdoB).

Presidente nacional do PDT, Carlos Lupi afirmou que nenhum candidato atende aos interesses e compromissos do PDT e que, portanto, o partido manterá neste segundo turno uma posição de “neutralidade”.

Luppi, anunciou ainda que os diretórios estaduais terão liberdade de apoiar qualquer um dos candidatos, desde que não utilize sigla, bandeira, ou qualquer símbolo do partido.

– O PDT é independente neste segundo turno e nenhuma das candidaturas representa o pensamento e a causa do partido – disse Luppi.

Em nota publicada na internet, o partido afirma que decisão pela neutralidade contou com o apoio do candidato do PDT à Presidência no primeiro turno, Cristovam Buarque, e do líder da legenda na Câmara, Miro Teixeira, ambos ex-ministros da Educação e das Comunicações, respectivamente, no governo Lula.

Carta aberta

Em carta aberta aos dirigentes e militantes do PDT, assinada por Aurelio Fernandes, o núcleo Ruy Mauro Marini, um dos mais numerosos do Rio, pregou o voto em Lula.

“O PSDB ganhar significa a possibilidade de 4 anos de radicalização do neoliberalismo. A continuidade dos “programas compensatórios” permitirá a disputa com o campo popular e classista do apoio dos setores excluídos e, por fim, com a utilização da máquina governamental aumenta a possibilidade de reeleição de Allckmin ou a eleição de Serra ou Aécio, com o neoliberalismo ganhando mais um mandato. Perdendo, o PSDB não tem nenhuma inserção no movimento popular ou junto ao povo pobre e não irá nos atrapalhar, mantendo-se eleitoralmente na “Daslu”.

“O PDT está encerrando um ciclo de sua história e pode, nesse segundo turno, dar indícios de quais serão os rumos desse novo ciclo. Podemos nos consolidar como uma alternativa política – e até mesmo de poder – pela esquerda do espectro político, apoiando criticamente a candidatura de Lulla contra Allckmin ou não apoiando nenhuma das candidaturas. Ou podemos nos transformar em um mero apêndice de “esquerda” da direita apoiando Allckmin e caminhando para nos transformar em mais uma legenda no mercado eleitoreiro das elites e comprometendo seriamente o PDT como uma alternativa política para o povo trabalhador. (…)

“Temos de ser coerentes com a lição de Brizola de que devemos tomar nossas decisões sempre baseadas no compromisso com as nossas causas, mas que em momentos de impasse como o que estamos passando, devemos sintonizá-las com o sentimento popular. Sendo assim, o PDT deve indicar o voto critico em Lula, identificando-se com o sentimento popular de voto contra o aprofundamento radical do neoliberalismo com o retorno do PSDB/PFL. Essa indicação deverá ser divulgada por uma Carta ao Povo Trabalhador onde o PDT explicite por que nosso apoio é critico e, assim, fortalecer seu referencial perante o povo trabalhador brasileiro como um de seus instrumentos de luta.

“Para nós, será um posicionamento amargo, regado ao som das ironias e do sarcasmo dos traidores da causa popular, mas é melhor estar ao lado do povo trabalhador do que com a ilusão da consciência tranqüila do vanguardismo pequeno burguês – votando nulo ou em branco – ou confundir o povo trabalhador, pautados pela lógica sectária que tanto combatemos em nossos adversários, ficando ao lado daqueles que o exploram e oprimem há mais de 500 anos”, conclui a carta.