PC do B defende oposição unida e Assembléia Nacional Constituinte

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Publicado segunda-feira, 10 de dezembro de 2001 as 22:32, por: cdb

União das oposições, Assembléia Nacional Constituinte e um projeto de reconstrução para o Brasil. Estas foram as principais palavras defendidas pelo vice-presidente do Partido Comunista do Brasil, Renato Rabelo, durante o ato político de abertura do 10° Congresso do partido, no Centro de Convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro.
Durante a abertura do Congresso – que contou com a presença do governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, o presidente da CUT, João Felício, o deputado Eduardo Campos (representando o presidente nacional do PSB Miguel Arraes), representantes do PT, do PCB, da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e da Executiva Nacional do PC do B – o atual vice-presidente do partido fez um discurso onde apontou o “atual estado de estagnação da economia brasileira, o aumento dos juros, do desemprego, do processo sem critério de privatização e desnacionalização dos principais ativos do País como resultados do projeto neoliberal dos últimos oito anos de governo FHC”.

Renato Rabelo criticou ainda a nova ofensiva diplomática norte-americana para a “imposição da Alca nas Américas e a criação de uma área de livre comércio sob a hegemonia dos Estados Unidos, dentro de um projeto de dominação econômica e neocolonização”. Ele defendeu, em seu discurso, a convocação de uma nova Assembléia Nacional Constituinte e a elaboração de um “projeto de reconstrução nacional”, como alternativas necessárias para a reestruturação econômica do País, diminuição das desigualdades sociais hoje existentes para que o próximo governo possa ter condições mínimas de governabilidade e capacidade para a superação da atual crise econômico-social brasileira.

No ato político da abertura do congresso, o presidente do Partido Comunista do Brasil (PC do B), João Amazonas, que completa 90 anos em janeiro anunciou sua decisão de passar o cargo, afirmando ter certeza de que a plenária irá referendar o nome do atual vice-presidente Renato Rabelo, 60 anos, para sucedê-lo. Amazonas afirmou que havia tomado a decisão de sair da presidência do Pc do B em virtude da idade avançada, mas enfatizou, porém, que não irá se aposentar como militante.

Rabelo como praticamente futuro presidente do PC do B defendeu ainda a coalizão das oposições para a disputa presidencial, argumentando que a disputa isolada dos candidatos de oposição aumentará o risco de fracasso na disputa eleitoral. Ele também adiantou, durante seu discurso, sua disposição de buscar a união possível das oposições.

O congresso – com cerca de 850 delegados eleitos em conferências estaduais – deverá definir os rumos do partido, seu programa e a eleição da nova direção do PC do B. Também estão participando do congresso cerca de 60 representantes de partidos comunistas de 40 países, dentre eles China, Cuba, Vietnã, Líbia, Coréia, Angola e até de países como Israel, Estados Unidos e França.