Paulo Henrique Amorim: de réu a vítima

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Publicado terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 as 14:38, por: cdb

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

A internet tornou muito mais potentes e muito menos puníveis os crimes de calúnia, injúria e difamação devido ao fato de que, quando praticados, vão sendo reproduzidos ad infinitum em milhares de páginas, em comentários de leitores a matérias de blogs e sites e em redes sociais como Twitter, Facebook, Orkut etc.

A instantaneidade da internet leva as pessoas a cometerem crimes inadvertidamente por escreverem “a quente”, movidas por estados de espírito de fúria, de frustração ou de indignação. Por isso, não se pode levar a ferro e fogo cada expressão insultuosa que é colocada na rede.

Não se pode sair por aí processando cada maluco que comete crimes de difamação, calúnia ou injúria, por exemplo. Sobretudo sendo blogueiro, que lida com milhares de pessoas o tempo todo. Se a cada vez que alguém o insulta, injuria ou difama você for processá-lo, não fará outra coisa na vida. Dessa forma, processos judiciais devem ser o último recurso.

Alguém que faz um blog não pode ser muito sensível. Não deve se embevecer com os elogios ou se deprimir com os insultos. Alguns gostam do que o blogueiro produz, outros odeiam. Faz parte do jogo. Não se pode pretender a unanimidade, pois nem Jesus Cristo agradou a todos.

Então é preciso entender que a difamação, a calúnia ou as frases preconceituosas que se espalham na internet são quase sempre produtos de estados de espírito passageiros. Se não se tornam campanhas, é melhor deixar que morram. Até porque, acabam caindo no vazio pela repetição e pelo fanatismo de seus autores.

A coisa muda de figura quando se é alvo de uma campanha orquestrada por grandes veículos de mídia como a que está sendo empreendida contra PHA. Há um propósito nela: a destruição da imagem do jornalista. É uma campanha que pretende, além de tudo, inviabilizar o alvo profissionalmente, pois sua imagem é também a sua ferramenta de trabalho.

Eis que o acordo judicial que o jornalista da Record fez com o da Globo gerou campanha de má fé que continua a todo vapor. Seu objetivo é o de converter acordo judicial em “condenação por racismo”.

No momento em que escrevo, se alguém fizer uma busca no Google encontrará incontáveis manchetes em páginas da internet que dizem que PHA foi “condenado por racismo”. Buscando-se a origem dessas manchetes, percebe-se que partiram de poucas fontes e se espalharam como fogo.

Mais grave é que há blogueiros ligados a grandes empresas de comunicação que seguem fomentando tese falsa sobre condenação de Paulo Henrique. Essas pessoas tentam transformar um acordo em condenação sob a premissa de que o jornalista “seria condenado de qualquer maneira” e que, por isso, teria sido “obrigado” a fazer o acordo.

Não existe qualquer fundamentação lógica para tal premissa. As pessoas que difamam PHA garantem saber o resultado de um processo que, se não tivesse sido extinto, poderia se estender por muitos anos e que certamente só terminaria no Supremo Tribunal Federal. Fazer acordo não é admitir culpa, é estratégia.

Já as críticas ao que disse PHA não podem ser objeto de punição, pois constituem liberdade de expressão. As pessoas têm direito de achar inadequada a frase que motivou o processo contra ele. Agora, a difusão de mentiras de forma sistemática e sabidamente falsa, aí é crime que precisa ser denunciado e punido.

O dano à imagem pode ser irreversível. Milhares de pessoas devem ter lido apenas as manchetes que afirmaram que “Paulo Henrique Amorim foi condenado por racismo” e, dali em diante, tornaram-se propagadoras da mentira.

O portal Terra foi talvez o único a se retratar. Outros portais apenas alteraram suas manchetes ou sumiram com matérias caluniosas e difamantes. Enquanto os portais se resguardam (ainda que inutilmente, pois foi tudo salvo), inocentes úteis seguem fazendo o trabalho sujo. Será moleza para PHA ser ressarcido.