Passos ataca imposto sobre grandes fortunas

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Publicado quinta-feira, 1 de setembro de 2011 as 06:20, por: cdb

O primeiro ministro disse em entrevista ao El Pais que taxar as grandes fortunas seria “encarar de forma penalizadora os que têm mais capacidade de criar riqueza”. Passos segue para Berlim para encontrar-se com Merkel. “Vai a despacho”, acusa Miguel Portas.Artigo |1 Setembro, 2011 – 12:33Passos Coelho está em Berlim para repetir as promessas de austeridade sobre os trabalhadores portugueses. Foto EPA

Questionado pelo diário espanhol sobre o que fará o seu Governo para “reduzir a tremenda assimetria fiscal em Portugal, onde os rendimentos sobre o trabalho são taxados ao dobro dos rendimentos sobre o capital”, Passos Coelho recusou a aprovação dum imposto sobre as grandes fortunas, “porque o que precisamos é de atrair fortunas”.

Para o primeiro-ministro, “se tivéssemos decidido aumentar a pressão fiscal sobre o capital e as fortunas, teríamos um problema de financiamento da economia mais grave que o que temos”. Passos Coelho acrescenta que isso seria “dar um sinal errado”, ao “encarar de forma penalizadora os que têm mais capacidade de criar riqueza”.

Já sobre o papel das agências de rating, que podem descer de novo a classificação portuguesa, Passos Coelho assegurou à imprensa espanhola que “o governo português não vai arvorar nenhuma bandeira contra elas”.

Depois do encontro com Zapatero e Rajoy, Passos Coelho encontra-se em Berlim esta quinta-feira com Angela Merkel. Para o eurodeputado bloquista Miguel Portas, Passos vai “convencido, e com algum realismo, que quem manda na UE é a senhora Merkel, e nenhum senhor Van Rompuy ou nenhum senhor Durão Barroso”, pelo que “vai a despacho”, para “receber instruções e apresentar a estratégia que o seu Governo está a seguir, que é de antecipar e reforçar o que Portugal acordou com a troika”.

Miguel Portas diz que haveria decerto temas mais importantes para colocar na agenda do encontro com a chanceler alemã, desde “a questão da valorização do euro face ao dólar, que só beneficia a Alemanha e prejudica países menos competitivos como Portugal” ou a “oposição obstinada da Alemanha à emissão de obrigações europeias”.

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