Passa de mil o número de civis mortos no Afeganistão em ataques norte-americanos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 22 de outubro de 2001 as 16:35, por: cdb

Nas contas do embaixador do Talebã no Paquistão, mulá Abdul Salam Zaeef, a ofensiva dos Estados Unidos contra o terrorismo, iniciada há duas semanas, já causou a morte de 1.000 afegãos. Entre elas, como acusa Zaeef nesta segunda-feira, está a morte de no mínimo 100 pessoas, durante bombardeio norte-americano a um hospital na cidade de Herat, região oeste do Afeganistão.

Zaeef classificou as vítimas como “mártires”. “Eram paciente, médicos, enfermeiras e outros funcionários”, acrescentou, dizendo que os Estados Unidos estão praticando “genocídio”.

O governo norte-americano não comentou a denúncia dos afegãos.

Em entrevista coletiva em Islamabad, a capital paquistanesa, Zaeef afirmou que o hospital tinha capacidade para 100 leitos e acusou os norte-americanos de estarem usando “armas pesadas, nunca vistas antes” em combates.

Zaif não especificou, porém, o tipo de armamento usado. “Uma pequena cidade na província de Nangarhar (leste do país) foi totalmente arrasada pelos aviões norte-americanos. Os prédios civis ficam bem longe das instalações militares”, acrescentou.

“Isso inclui homens, mulheres e crianças”, prosseguiu. “Está claro que os aviões norte-americanos estão alvejando o povo afegão. O objetivo é punir a nação afegã por ter escolhido o sistema islâmico”.

O Pentágono, Departamento de Defesa norte-americano, afirmou repetidamente que a campanha militar contra o Afeganistão não visa os civis.

Zaeef garante que a realidade é outra. “Ao governo Bush e àqueles que estão do seu lado, queremos dizer que o genocídio que está matando civis é um ato tão terrorista quanto o de Nova York”, encerrou.