Partido Democrático da Sérvia nomeia candidato para novo primeiro-ministro

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Publicado domingo, 16 de março de 2003 as 18:37, por: cdb

O Partido Democrático (DS) da Sérvia, do primeiro-ministro Zoran Djindjic, assassinado no último dia 12, nomeou neste domingo, como candidato o novo primeiro-ministro, Zoran Zivkovic, um dos vice-presidentes do partido.

Zivkovic será também o representante oficial do DS, mas o partido continuará sem presidente até a assembléia geral prevista para 2004.

Djindjic, que liderava o Governo reformista da Sérvia desde janeiro de 2001, foi assassinado a tiros por desconhecidos em frente à sede do Governo, no centro de Belgrado, e sepultado ontem na Alameda das Grandes Personalidades, no Cemitério Novo da capital.

Zoran Zivkovic, de 42 anos e que nos últimos dois anos e meio desempenhou o cargo de ministro do Interior da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro), disse no último sábado (15) durante o enterro, que o DS e o Governo continuarão com as reformas democráticas que Djindjic impulsionou depois da queda do regime de Slobodan Milosevic.

Neste domingo anunciou que não haverá mudanças no Governo da Sérvia e também não serão antecipadas as eleições parlamentares.

“As eleições se realizarão quando expirar o mandato (de quatro anos) do Parlamento que foi eleito em dezembro de 2000 (…) Não há razões para mudanças no Governo, devemos garantir a continuidade”, afirmou Zivkovic.

Ao mesmo tempo, disse que a cooperação do país com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) “não está em interdição” e que continuará cumprindo com suas obrigações internacionais.

Outro vice-presidente do DS, Cedomir Jovanovic, que neste domingo foi designado candidato para ser um dos vice-primeiros ministros da Sérvia, anunciou, para a próxima terça-feira, uma sessão na qual o Parlamento elegerá o novo chefe de Governo.

Horas depois do assassinato de Djindjic, foi proclamado o estado de exceção na Sérvia que, segundo informou hoje Zivkovic, estará em vigor “no máximo até o fim do próximo mês”.

Ele afirmou que “todos (os representantes) da comunidade internacional com os quais falamos disseram que esse prazo é aceitável”.

O objetivo do estado de exceção é “ajudar na luta contra a crime organizado e nós queremos que dure o menos possível”, disse o político sérvio. Ele acrescentou que “é estado de exceção para os criminosos e não para os cidadãos”.

O Governo responsabilizou o “clã de Zemun” pelo assassinato de Djindjic. O “clã” é um grupo mafioso com pelo menos 200 membros que opera a partir do bairro Zemun, em Belgrado.

Cedomir Jovanovic informou neste domingo que até o momento, foram presos “mais de 200 criminosos registrados, que estavam destruindo o Estado”.

A Polícia informou no último sábado a detenção de 188 pessoas, incluindo um dos 23 principais responsáveis do “clã de Zemun”, Mladjan Micic.

Os líderes do grupo, o ex-chefe dos comandos da segurança do Estado, Milorad Lukovic, conhecido como Legija; Dusan Spasojevic, conhecido como Siptar, e Mile Lukovic, conhecido como Kum, continuam foragidos.

As autoridades municipais iniciaram, na sexta-feira (14) passada, a destruição da residência de Spasojevic, no bairro de Zemun, que provalvelmente servia como sede do grupo.

A prefeitura de Belgrado informou que o luxuoso complexo residencial, de 2.087 metros quadrados, será derrubado por tratar-se de uma construção ilegal.

Após dois dias de fracassadas tentativas para demolir com escavadeiras e britadeiras os pilares do edifício, de quatro andares de concreto armado, as autoridades decidiram implodí-lo.

A primeira explosão, ocorrida à meia-noite deste domingo, não derrubou o imóvel. As autoridades informaram que os trabalhos de implosão continuarão hoje e se efetuarão em dez fases, para evitar danos aos edifícios próximos.