Participação feminina na eleição de Abu Mazen surpreende observador

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Publicado quinta-feira, 13 de janeiro de 2005 as 21:28, por: cdb

A participação ativa das mulheres no processo eleitoral palestino surpreendeu o deputado Augusto Abicalil (PT-MT), um dos brasileiros que acompanharam a eleição de domingo (9) na Palestina. “Houve ampla participação feminina, o que me surpreendeu favoravelmente, principalmente porque passam a imagem de que a cultura árabe é inimiga da participação das mulheres”, disse Abicalil.

Ele lembrou que a eleição foi cercada por um clima de muita tensão. “Todos estavam preparados para algum ato surpreendente de ambas as partes. Israel atua com milhares de jovens, ao que nós vimos, muito mal preparados para as funções que exercem. Esses militares, homens e mulheres com idades entre 19 e 22 anos, transitam nos shoppings e nos pontos de ônibus armados, como se usassem uma bolsa ou um objeto qualquer. Evidentemente, isso gera uma expectativa bastante ruim para quem está participando do cotidiano daquela população”, ressaltou.

A delegação brasileira participou de diversas atividades. Na véspera da eleição, reuniu-se com o vice-chanceler palestino; no dia da votação, esteve com o presidente do Parlamento e se encontrou com o presidente em exercício, que transmitiu o cargo a Abu Mazen. Na segunda-feira (10), participou do anúncio do resultado eleitoral. Neste dia, Mazen recebeu os observadores internacionais em Mugata, sede do governo palestino em Rammalah. Na ocasião, o presidente eleito reafirmou os três principais pontos do seu programa: desenvolvimento social, segurança do povo palestino e devolução da paz. Além disso, reconheceu a colaboração do governo brasileiro.

“Neste sentido, Mazen reconheceu não apenas a proximidade, a fraternidade e a cordialidade do povo brasileiro, como saudou a decisão do presidente Lula, que, em julho do ano passado, estabeleceu a instalação de um escritório de representação do Brasil em Rammalah, capital política da Palestina”, explicou Abicalil. Antes, a representação brasileira se concentrava na Embaixada, em Tel Aviv, capital política de Israel.

A União Européia foi a responsável pela coordenação dos observadores internacionais. Além da delegação brasileira, formada por 16 integrantes, acompanharam a eleição representantes do Parlamento Europeu e dos governos do Canadá, Suíça, Japão e Noruega.