Parlamento inglês veta inquérito judicial sobre guerra

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 4 de junho de 2003 as 23:10, por: cdb

O Parlamento britânico decidiu, em votação em plenário, não atender ao pedido de um inquérito judicial independente sobre o comportamento do do governo em relação à guerra no Iraque.

O pedido foi rejeitado por 301 votos, contra 203 a favor do inquérito. O Partido Trabalhista, de Blair, tem maioria no Parlamento.

Críticos do primeiro-ministro acusam seu gabinete de ter distorcido documentos de inteligência para justificar a guerra contra o Iraque.

Os dois principais partidos de oposição, o Conservador e o Liberal Democrata, somaram forças com alguns deputados trabalhistas para pedir a investigação.

Negação

Nesta quinta-feira, Tony Blair negou mais uma vez ter dado ordens para alterar os documentos.

Ao anunciar que o Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento vai realizar uma investigação sobre o caso, Blair disse que as alegações são “completa e totalmente falsas”.

O comitê poderá entrevistar pessoas envolvidas no caso e vistoriar quaisquer documentos, mas vai agir em sigilo e entregar os resultados da investigação a Blair.

O líder conservador, Iain Duncan Smith, disse que a credibilidade do governo está em jogo.

Durante os debates, a ex-ministra de Desenvolvimento Internacional Claire Short, que renunciou ao cargo por não concordar com a guerra, disse que suas informações sobre segurança a fizeram crer que os serviços de inteligência foram exagerados.

O vice-primeiro-ministro, John Prescott, repreendeu os rebeldes trabalhistas durante a reunião semanal da bancada.

– O que está em jogo é a integridade do partido, e o primeiro-ministro não está mentindo – disse Prescott.

Blair apoiou o argumento do ministro John Reid de que “setores rebeldes” do serviço de inteligência estariam distribuindo informações contra o governo.

Mas ele afirmou que tinha certeza de que ninguém do comitê parlamentar que assessora os ministros estava envolvido.

O primeiro-ministro disse ainda que as dúvidas sobre o fato de o regime de Saddam Hussein poder, antes da guerra, disparar armas de destruição em massa em 45 minutos deveriam ser dissipadas pelo comitê.

Segundo Blair, os trabalhos de busca pelas armas estão apenas no início.

– Não tenho absolutamente dúvida alguma de que serão encontradas as evidências mais claras possíveis de que o Iraque tinha armas de destruição em massa – declarou.

Blair pediu que os parlamentares lembrassem que, além da questão das armas, o povo iraquiano está “feliz depois que um ditador brutal que matou centenas de milhares de pessoas foi embora”.

Duncan Smith pediu que fossem identificados os “elementos rebeldes” apontados pelo governo.

O líder dos liberais democratas, Charles Kennedy, afirmou que muitas pessoas estão céticas sobre as declarações do governo sobre as armas.

– Como o povo pode confiar no governo se ele deixa parecer que não tem confiança absoluta em seu próprio serviço de inteligência? – perguntou Kennedy.