Paris em caos por causa das greves

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Publicado terça-feira, 3 de junho de 2003 as 23:50, por: cdb

A Franca ficou novamente no caos nesta terça-feira pela nona greve contra a reforma da previdência, que atinge, sobretudo o setor dos transportes e que poderia se manter nos próximos dias.

Está semi-paralisado o tráfico aéreo: cerca de 80% dos vôos nos aeroportos franceses foram cancelados, e até quinta-feira se prevêem fortes desconfortos para quem viaja. A companhia aérea “Air France” proclamou hoje um dia de paralisação, já os controladores de vôo continuarão o protesto até quinta, enquanto os funcionários dos aeroportos de Paris avisaram que a paralisação é por tempo indeterminado a partir de hoje.

Paralisação também nas ferrovias e nos ônibus urbanos, para protestar contra a reforma da previdência que prevê entre outras coisas elevar de 37,5 para 40 anos (e progressivamente para 42) também para o setor público, os anos de contribuição necessários para a pensão plena.

Além dos transportes urbanos outros setores estão protestando cada um da sua forma, os professores que há dez dias estão paralisados e contestam também a reforma escolar; os correios; os empregados dos ministérios; muitos bancos estão fechados; os jornais não chegaram as bancas; a agência francesa de noticias, France Presse, informou que terá longas interrupções dos serviços.

O governo de centrodireita procede confiante porque acredita que o pior já passou. Na semana passada a reforma do ministro Francois Fillon, que há 40 anos defende também para as estatais os anos de pagamentos, foi apresentada no Conselho dos ministros e, em uma semana, estará na Assembléia nacional.

Apenas alguns sindicatos, os socialistas da CFDT e os dirigentes entre os outros, assinaram o acordo. Os comunistas da CGT e social-democratas de Force Ouvriere estão mais do que nunca em pé de guerra, mas só os primeiros realmente acreditam que ainda há margens para negociações.

Mais pragmáticos, os homens de Force Ouvriere – muito numerosos no setor dos transportes – querem forçar o governo a retroceder no maior número de pontos possíveis antes que a palavra passe aos políticos, e deve evitar-se o apelo para uma greve geral, que ganharia uma conotação de quase insurreição.

Por parte do governo, a firmeza que Raffarin prometeu foi amplamente demonstrada. A hipótese atual mais provável é que ele esteja pronto para renunciar a algo em se falando de reforma escolar (mais contestada do que a das pensões) e eventualmente sacrificar o ministro filósofo Luc Ferry, para concluir a reforma das pensões antes do verão.

No limite extremo, se a oposição se mostrar muito radical sobre as pensões, Raffarin dispôs a seus ministros que tentassem adaptações, sem jamais recuar. O atual governo considera o recuo como o erro fatal que custou o cargo a Alain Juppé, o último premiê que em 1995 tentou reformar as pensões na França.