Paramilitares da Colômbia à beira de uma guerra interna

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Publicado segunda-feira, 26 de maio de 2003 as 15:46, por: cdb

Os grupos paramilitares da Colômbia estão à beira de uma guerra interna devido à decisão de parte de suas facções de manter conversações de paz com o governo do presidente Alvaro Uribe, enquanto outra parte se nega a aderir aos diálogos.

As Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) e o Bloco Central Bolívar (BCB), os principais grupos paramilitares que somam cerca de 12 mil membros, ameaçaram aniquilar o Bloco Metro se este não se integrar às negociações com o governo.

Os comandantes Carlos Castaño e Salvatore Mancuso, das AUC, e Ernesto Báez, do BCB, disseram ao chefe do Bloco Metro, identificado como “Rodrigo”, que se ele não se unir às conversações de paz terá obrigado a retirar suas tropas de parte da cidade de Medellín e de algumas zonas do noroeste do país.

Se o comandante rebelde não acatar essa última decisão, os 1.200 homens das AUC e do BCB reunidos no município de Caucasia, a 400 km a noroeste de Bogotá, iniciarão uma ofensiva contra o Bloco Metro, que conta com cerca de 1.500 homens espalhados pelo departamento (estado) de Antioquia.

“Temos um ultimato: ou nos desmobilizamos ou eles no desmobilizam”, disse “Rodrigo” nesta segunda-feira em entrevista por telefone.

Castaño e seus aliados também pediram ao Bloco Metro que abandone sua postura radical contra o narcotráfico, já que esta facção se recusa a apelar para o tráfico ilegal para financiar suas atividades, por considerá-lo parte do “círculo vicioso da violência na Colômbia”.

“Se a opção é entre ceder ou lutar, vamos lutar”, advertiu “Rodrigo”.

Os principais argumentos do Bloco Metro para manter-se à margem das negociações são que o desafio da guerrilha ainda continua e que os outros paramilitares não se comprometeram a abandonar definitivamente o narcotráfico.

– Não tem sentido entrar neste momento em negociações com o governo quando a guerrilha está fortalecida – explicou o chefe do Bloco Metro.