Paraguai: imprensa denuncia falta de acesso à educação

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Publicado segunda-feira, 26 de novembro de 2012 as 12:29, por: cdb

As crianças indígenas e camponesas paraguaias são as principais vítimas de frequentes desocupações de terras, que ocorrem no país, o que impede que tenham acesso à educação.

 

Denúncias da imprensa local destacaram essa situação das crianças ao basearem-se em incidentes recentes que constituem apenas uma pequena amostra dos comprovados prejuízos causados por ações de reintegração de posse, solicitadas por latifundiários, e pela negativa oficial à entrega de terras.

Recentemente, no departamento de Canindeyú, a polícia expulsou indígenas da etnia Ava Guaraní dos terrenos que ocupavam há mais de 22 anos, deixando sem escola um total de 132 crianças.

Elas tinham aula em uma modesta instalação preparada por seus familiares com o objetivo de garantir-lhes, pelo menos, a educação primária, o que agora foi perdido pela demanda de um empresário estrangeiro, que alegou propriedade sobre essas terras.

Outra reportagem impactante foi a publicada pelo jornal Última Hora, cujos jornalistas testemunharam a realidade vivida por mais de 400 famílias camponesas, que, como lugar de residência, têm apenas precárias barracas em uma zona arborizada de Ñacunday, Alto Paraná.

O assentamento está a apenas 65 quilômetros da moderna Ciudad del Este, mas os camponeses têm para a educação de seus filhos apenas um barracão já destruído pelos ventos, sob o qual o calor é abrasador no forte verão paraguaio.

A falta de condições mínimas para os pequenos estudantes fez estragos, apesar do louvável esforço de 18 docentes encarregados de prepará-los, de acordo com a reportagem.

Nessa situação, de 1.200 alunos que iniciaram o ano letivo, somente 360 ainda resistem às péssimas condições e poderão concluir o curso no final desta semana. “Estamos vivendo momentos de muita tensão, incerteza e até tivemos a lamentável morte de alunos, pois o Governo não cumpriu até agora a promessa de assentar os camponeses.” disse o professor Robert Ramírez, diretor da escola que funciona no barracão. 

Fonte: Prensa Latina 

 

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