Para o Secretário de Tesouro americano ainda precisamos provar que somos honestos.

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Publicado segunda-feira, 29 de julho de 2002 as 11:00, por: cdb

O secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, afirmou ontem que não oferecerá ajuda financeira durante a visita que fará ao Brasil e à Argentina. Para O’Neill, os países ainda precisam provar que sabem fazer bom uso dos empréstimos internacionais. “Esses países são importantes parceiros e aliados dos EUA”, disse O’Neill em entrevista ao programa de TV ‘Fox News Sunday’. “Mas precisam pôr em prática políticas [econômicas] que assegurem que o dinheiro que recebem seja bem aproveitado, e não apenas saia do país direto para uma conta na Suíça.”
O secretário deveria chegar à América do Sul ontem, mas ficou nos Estados Unidos, a pedido do presidente George W. Bush, para tratar de assuntos internos, como a crise nas Bolsas e a aprovação do ‘fast track’. A visita foi adiada e ocorrerá de 5 a 7 de agosto.
Além de Brasil e Argentina, O’Neill passará pelo Uruguai, país que enfrenta a pior crise econômica de sua história. Indagado se traria propostas de socorro financeiro na bagagem, O’Neill afirmou: “Não, não, não”. O secretário disse que a discussão de novas linhas de crédito não estará na pauta das conversas com as autoridades e que sua intenção é apenas se familiarizar com os problemas desses países.
Os EUA são o maior acionista do FMI (Fundo Monetário Internacional) e controlam, com os europeus, as decisões do órgão internacional de assistência financeira. Sem a anuência norte-americana, o Brasil não teria como conseguir um novo empréstimo.
No sábado, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o governo decidirá nesta semana se recorrerá ao FMI em busca de recursos adicionais. Ontem, disse que não há uma data para fechar o acordo. O governo teria em mente um novo empréstimo, entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões, para acalmar o mercado durante o período eleitoral.
Quando fala para o público americano, O’Neill (que corresponde ao ministro da Fazenda) costuma dar declarações que desagradam a brasileiros e argentinos. No ano passado, ainda antes de a Argentina quebrar, disse que ‘encanadores e carpinteiros’ não poderiam financiar um pacote de socorro ao país.
Há um mês, os brasileiros receberam uma mensagem semelhante. “Despejar dinheiro de contribuintes norte-americanos em uma incerteza política no Brasil não parece inteligente.” Mais tarde, O’Neill afirmaria que havia sido mal interpretado e que, se necessário, o país poderia contar com a ajuda dos EUA.