Para Gil, críticas de Caetano são ‘estimulantes’

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 5 de janeiro de 2006 as 19:53, por: cdb

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, reagiu com tranquilidade às fortes críticas feitas pelo amigo de longa data Caetano Veloso à sua pasta, afirmando que esse tipo de debate é natural e que não abala a relação dos dois.

– As críticas são muito boas, estimulantes e natural que sejam feitas. Isso é sinal que a sociedade está atenta ao trabalho que o ministério faz – disse Gil a jornalistas na sede do Ministério de Cultura no Rio, o Palácio Gustavo Capanema.

Em uma carta aberta publicada na quinta-feira, Caetano defendeu o poeta Ferreira Gullar, que se envolveu em uma polêmica com o secretário de Políticas Públicas do Ministério da Cultura, Sérgio Sá Leitão, e disse que “se um ministério demonstra não aceitar críticas… estamos sim a um passo do totalitarismo”.

Gil disse que não havia lido a carta de Caetano e que ficou sabendo do ocorrido por meio de sua mulher, Flora, mas que considera o debate como algo saudável.

– Governar é escolher e, de certa forma, é também discriminar. Ao escolher uma coisa você pretere outra. Você nunca consegue satisfazer todo mundo. O nosso trabalho vai continuar satisfazendo uns e descontentando outros – afirmou.

Sobre Caetano, Gil disse que “nossa amizade não será abalada”.

O desentendimento entre Gullar e o Ministério da Cultura começou no final de 2005, quando o poeta criticou a atuação da pasta, apesar de reconhecer que não acompanhava de perto os projetos do setor. A resposta do ministério veio através de Sá Leitão, que acusou Gullar de “centralista” e “stalinista”. O cantor admitiu que pode não estar totalmente “inteirado” sobre o trabalho do ministério, mas que não é obrigado a estar e que isso não desqualifica suas críticas. Ele também chamou Gil de “meu irmão, meu amor, meu companheiro de viagem”, apesar de dizer que “essa gente do governo anda para trás”.