Para Delfim, juros altos reduzirão crescimento para 3% em 2005

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 10 de janeiro de 2005 as 17:32, por: cdb

O ex-ministro da Fazenda e deputado federal (PP) Delfim Netto acredita que o Banco Central elevará os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá na próxima semana, nos dias 18 e 19.

– Vou ficar muito decepcionado se o Copom der só 0,25%. Isso abalaria a independência política da instituição – comentou com ironia.

Para ele, os apertos da política monetária vão provocar “efeitos deletérios” à economia, como a “quebra” da expectativa de crescimento por parte de empresários, o que afetará os investimentos e geração de empregos.

– As constantes elevações dos juros vão reduzir a expansão do Brasil para 3% neste ano.

– Isso é péssimo, pois deve piorar o risco país, dado que tende a aumentar a dívida pública em relação ao Produto Interno (Bruto), um dos principais indicadores analisados pelos investidores antes de aplicar seus recursos em qualquer país – afirmou o ex- ministro.

Delfim ressaltou que o BC está cometendo um grave erro ao aplicar “doses muito fortes” de política monetária para jogar a inflação na meta de 5,1% em 2005. Ele destacou que desde 2001 a inflação não fica abaixo de 7%. Naquele ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 7,67%, subiu para 12 53% em 2002 – devido basicamente à desvalorização de 53% do câmbio – e caiu para 9,3% em 2003.

– Em 2004, a taxa deve ter ficado em 7,5%. Portanto, baixá-la para perto de 5% é um esforço imenso, que requer juros que maltratam muito a economia e a vida da maioria da população.

Na avaliação de Delfim, se o Copom elevar na próxima semana as taxas nominais dos atuais 17,75% para 18% ao ano – como prevê a maior parte dos analistas financeiros – as taxas de juros reais ficarão próximas de 12%, muito superiores às oferecidas pelos títulos públicos norte-americanos.

– Com esse nível, é claro que o País faz captações de recursos no exterior em reais, pois a rentabilidade é muito mais alta do que a oferecida por outros países – comentou.

Nos cálculos de Luis Fernando Lopes, economista-chefe do Pátria Banco de Negócios, os juros reais nos Estados Unidos são praticamente nulos, pois há equilíbrio entre a taxa de inflação, medida pelo índice de preços ao consumidor e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos de dois anos.