Para candidato do PT o acordo com FMI foi inevitável

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Publicado sexta-feira, 9 de agosto de 2002 as 11:04, por: cdb

O candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, na tarde desta quinta-feira, uma nota oficial sobre o acordo que o governo brasileiro fechou com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O fundo anunciou um aporte financeiro de US$ 30 bilhões, sendo que 80% do valor será disponibilizado apenas em 2003.

De acordo com a nota, Lula reafirma que fará tudo o que estiver ao seu alcance para evitar o agravamento da crise financeira que assola o país e que “tornou-se inevitável recorrer outra vez ao FMI”. Segundo Lula, a atual crise é decorrente da vulnerabilidade externa da economia brasileira, resultado de erros cometidos pelo governo nos últimos anos.

O candidato faz um alerta ao governo quanto ao uso das reservas brasileiras. “A autorização para redução do piso das reservas líquidas em US$ 10 bilhões, ainda que aumente a capacidade de o atual governo defender a moeda, se efetivada, representa uma restrição muito grave para o início do próximo governo. É inaceitável que as nossas reservas sejam gastas com especuladores e o Brasil seja deixado em uma situação ainda mais vulnerável do que já está”, diz a nota, que foi lida pelo candidato durante entrevista em São Paulo, nesta quinta. Leia abaixo a íntegra da nota.

NOTA SOBRE O ACORDO COM O FMI

1. Como já afirmamos na “Carta ao Povo Brasileiro”, temos consciência da gravidade da crise financeira que afeta o Brasil. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar o aprofundamento dessa crise, que significaria mais sofrimento para a população na forma de aumento do desemprego, queda na renda e crescimento da pobreza.

2. Do nosso ponto de vista, a atual crise decorre da vulnerabilidade externa da economia brasileira, que é resultado dos erros cometidos pelo governo nos últimos oito anos. Em lugar de fazer o país crescer, robustecer o mercado interno e exportar mais, o governo adotou um modelo em que o Brasil ficou estagnado e dependente da volátil liquidez internacional. Com isso, a cada nova turbulência é necessário contrair novos empréstimos.

3. Dentro desse modelo, tornou-se inevitável recorrer outra vez ao FMI. Nós sempre dissemos que era melhor não ter que ir ao FMI. A história recente da intervenção do fundo na América Latina é um testemunho dos graves equívocos da sua concepção monetarista, ortodoxa e recessiva. Mas tendo-se tornado inevitável, entendemos que este acordo permite tranqüilizar o mercado e, com isso, dar uma chance, se forem tomadas as medidas corretas, de o país voltar a crescer. Pretendemos, nesta campanha eleitoral, mostrar que o Brasil, com um novo governo, apoiado em outra coalizão, tem todas as condições de implementar as mudanças sociais que o povo reclama. Mas para isso, o país precisa voltar a crescer, compromisso maior de nosso governo.

4. O governo atual não deve acomodar-se com o acordo a que chegou com o FMI. Em primeiro lugar, é preciso que os bancos internacionais restabeleçam as linhas de financiamento comercial e renovem as linhas de crédito às empresas brasileiras que precisam saldar dívidas em dólar. Não podemos permitir que essas empresas quebrem e assim aumentem o desemprego no país. Deve-se, também, tomar medidas emergenciais com vistas a diminuir a nossa vulnerabilidade. Para isso, é preciso votar com urgência no Congresso uma mini-reforma tributária que desonere as exportações, preserve as receitas tributárias e contribua para gerar um grande superávit comercial. É necessário, além do mais, reabrir as linhas de crédito às empresas exportadoras. Faz-se urgente reativar o Proex, cuja verba prevista para o ano todo esgotou-se em junho. É necessário que o BNDES diminua os juros cobrados dos exportadores. É preciso também defender com vigor a economia popular, impedindo que os bens de consumo do povo, como o gás, o pão e os remédios, aumentem de preço em função das variações do dólar.

5. Fazemos um alerta ao governo quanto ao uso das reservas brasileiras. A autorização para redução do piso das rese