Para associação, prisão de PMs após fuga no Rio foi precipitada

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Publicado sexta-feira, 30 de maio de 2003 as 18:30, por: cdb

A prisão dos 13 policiais militares acusados de facilitar a fuga do traficante Cláudio Roberto Pacheco, 37, o Sussuquinha, foi contestada pela Associação de Cabos e Soldados do Rio. O criminoso fugiu na última quinta-feira, pela porta da frente do Batalhão de Choque da PM.

Para Wanderlei Ribeiro, presidente da associação, a decisão do secretário em determinar a prisão dos PMs foi “precipitada porque os fatos não foram apurados”.

Além da prisão dos policiais que estavam de plantão, o secretário da Segurança, Anthony Garotinho, determinou a prisão administrativa por 30 dias do comandante da unidade.

Ribeiro disse que um advogado verifica se associados estão entre os 13 policiais de plantão presos.

Prisão administrativa

Garotinho determinou nesta sexta-feira a prisão administrativa por 30 dias do comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, coronel Jorge Duarte.

Segundo o secretário, o coronel teve conhecimento da fuga do traficante por meio do Disque-Denúncia. Ele teria sido informado e mandado arquivar o documento com a informação.

O denunciante – provavelmente um policial militar – passou detalhes da fuga. Disse que ela ocorreria entre a última terça-feira e a última quinta-feira. Apesar disso, o coronel Duarte não tomou nenhuma providência. O denunciante disse ainda que, durante a fuga, o número de policiais foi reduzido.

Grades

As grades da cela onde estava Sussuquinha desde 2 de maio foram serradas. Há suspeitas de isso tenha ocorrido para “fingir” que o traficante teve dificuldade para escapar.

A informação de que haveria a fuga contribuiu para que o coronel fosse preso.

– Isso e outras coisas provocaram a prisão, porque são muitas as evidências – disse Garotinho.

Garotinho disse que o traficante escapou porque houve “conivência desses policiais vagabundos que sujam a imagem da Polícia Militar”.

Antecedentes

Sussuquinha entrou para o mundo do crime roubando carros nos bairros da Abolição, Méier e Engenho de Dentro (zona norte). Depois, passou para o seqüestro. É suspeito de estar envolvido em mais de 30, mas foi condenado por cinco.

Ele também e acusado de tráfico de drogas, receptação, falsificação de documentos e assaltos. Sussuquinha é acusado também de estar envolvido no assassinato da diretora do presídio de Bangu 1 Sidneya Santos de Jesus, em setembro de 2000.

Entre 1992 e 1996 ele esteve preso por alguns períodos na Polinter na zona portuária do Rio. Conseguiu fugir três vezes. Da última vez, escapou com um companheiro por meio de um buraco na parede do banheiro dos funcionários. Em 1995 ele já havia escapado do presídio Hélio Gomes, no complexo Frei Caneca.