Paquistão é acusado pelo governo indiano por atentado à Caxemira

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Publicado terça-feira, 25 de março de 2003 as 15:20, por: cdb

O vice-primeiro-ministro indiano, Lal Krishna Advani, responsabilizou nesta terça-feira, ao Paquistão pelo ataque armado no que foram assassinados no último domingo (23) 24 hindus de casta alta na parte da Caxemira que controla a Índia.

Em um ato público celebrado esta terça-feira em Nadimarg, 65 quilômetros ao sudoeste de Srinagar, onde no último domingo aconteceu o atentado, Advani disse, sem citar ao Paquistão, que “nossos vizinhos estão implicados em todos os atos de terrorismo que ocorrem em Jammu e Caxemira e no resto da Índia”.

No último domingo, um grupo de homens atacou com armas automáticas a localidade de Nadimarg, onde mataram 24 “pandits” (hindus cachemires) de casta alta, deles duas crianças, onze mulheres e onze homens, e feriram mais vinte.

As autoridades indianas acusaram a grupos armados islâmicos independentistas cachemires pelo atentado e disseram que na região onde aconteceu há um grande número de seguidores da organização “Hezbul Mujahidin” (Partido Combatente).

Por sua vez, em um comunicado enviado a diversos meios de comunicação, “Hezbul Mujahidin” acusa ao Exército indiano de ter executado o atentado para responsabilizar grupos islâmicos cachemires e criar maior tensão na zona fronteiriça com o Paquistão.

Calcula-se que cerca de 150.000 “pandits” abandonaram nos últimos 14 anos a região da Caxemira indiana mais próxima da “linha de controle” de separação do Paquistão, devido aos constantes enfrentamentos de artilharia entre os dois lados e a violência guerrilheira.

Vários grupos armados islâmicos, partidários da independência ou da anexação ao Paquistão da Caxemira, uma região majoritariamente muçulmana, atuam na região indiana desde 1989.

Nova Délhi acusa o Paquistão de dar refúgio e apoiar a estes grupos guerrilheiros, enquanto Islamabad garante que não os apóia, mas respalda o direito da população da Caxemira de decidir em referendo sua situação política.

No último domingo (23) foi assassinado na localidade de Sopore, 50 quilômetros ao norte de Srinagar, Abdul Mayid Dar, ex-líder do Hezbul Mujahidin, que se tinha manifestado partidário de abrir um processo de paz com o Governo indiano, por isso Nova Délhi acusou a seus antigos companheiros de matá-lo para evitar possíveis conversações.

Por outro lado, a tensão na “linha de controle” entre a Índia e o Paquistão se elevou nas últimas semanas e se intensificaram as freqüentes trocas de fogo de artilharia entre as duas partes.

Na última segunda-feira (24) foram mortos quatro civis e feridos outros três nestes confrontos na parte indiana.

No sábado passado (22), um porta-voz do Ministério de Defesa paquistanês acusou a Índia de “aumentar a tensão” na área da Caxemira e de enviar novas tropas à região, e disse que Islamabad também tinha reforçado suas unidades na “linha de controle”.