Papa surpreende críticos após um ano de pontificado

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Publicado quarta-feira, 19 de abril de 2006 as 14:03, por: cdb

O papa Bento XVI celebrou, nesta quarta-feira, o aniversário de um ano de pontificado e lembrou da surpresa na ocasião, dizendo que pretende ser um líder “brando e firme”. O cardeal Joseph Ratzinger, um experiente teólogo com a reputação de ser um tradicionalista ferrenho, foi escolhido papa depois da morte de João Paulo II.

– Como o tempo voa. Um ano já se passou desde que os cardeais reunidos no conclave, em uma decisão para mim totalmente inesperada e surpreendente, resolveram escolher meu humilde ser para substituir o amado servo de Deus, o grande papa João Paulo II – disse Bento XVI a uma multidão de 60 mil pessoas presente na Praça São Pedro, em Roma, para a audiência geral desta semana.

A eleição de Ratzinger, em 19 de abril de 2005, foi recebida com o badalar dos sinos do Vaticano. Mas nem todos ficaram felizes quando o homem apelidado de o “rottweiler de Deus” transformou-se no papa e muitos temiam que ele lançasse um ataque feroz contra os católicos liberais. No entanto, no último ano, Bento XVI deixou seus críticos confusos, mostrando ao mundo seu lado gentil, aparecendo aberto ao diálogo com dissidentes e provando ser surpreendentemente popular.

Palmas e gritos ecoaram quando o papa era levado pela praça e freiras esticavam o braço por sobre barreiras de metal a fim de tentar tocar na mão de Bento XVI.

– Ele tinha a fama de ser um disciplinador muito severo, mas acabou mostrando ser diferente disso. Ele tem escutado bastante e tem pensado sobre o futuro da Igreja. Acho que esse é um bom começo – disse Michael Walker, 51, da Irlanda do Norte.

Suave

Alguns fiéis esperavam que Bento XVI fosse mais incisivo em seu primeiro ano de papado e que fizesse grandes mudanças na Cúria, o órgão administrativo central do Vaticano. Mas as mudanças, até agora, foram poucas, e o pontífice adotou a suavidade como postura ao tratar dos muitos problemas da Igreja.

– Vivemos em uma época na qual as pessoas acham que tudo tem de funcionar como uma máquina de Coca-Cola. Você põe dinheiro nela, e consegue algo imediatamente. Bem, a Igreja não é assim – disse Eduardo Fernandez, do México.

Mas nem todos os presentes na Praça São Pedro mostravam-se satisfeitos com o primeiro ano de papado de Bento XVI. Alguns disseram temer que a Igreja acabe desaparecendo do Ocidente rico.

– Como pessoa, esse novo papa é bom. Como modelo a ser seguido, também. Mas, na qualidade de dirigente da Igreja Católica, ele está permitindo uma erosão da hierarquia. Os jovens não querem entrar para os seminários – disse Carl Ridgeway, de Michigan (EUA).