Palocci vai à Fiesp e pede cooperação dos empresários

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Publicado quinta-feira, 26 de junho de 2003 as 13:32, por: cdb

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, fez um apelo aos empresários nesta quinta-feira, na Fiesp, para que não sejam criados falsos atritos e pediu que trabalhem em conjunto com o governo.

Foi uma resposta às críticas feitas pelo setor empresarial ao projeto de reforma tributária.

Palocci assegurou que o governo Lula não aumentará a atual carga tributária a partir da aprovação do projeto. “O governo Lula tem se caracterizado por assumir compromissos e cumprí-los”, afirmou. O ministro, no entanto, descartou a sugestão de que seja incluído esse compromisso na Constituição.

Segundo ele, além de não ser correto do ponto de vista constitucional, a proposta poderia atingir o objetivo oposto. Ou seja, “muito provavelmente” a carga tributária não seria reduzida no futuro.

Palocci reafirmou sua crença “de que é melhor dar um passo à frente do que patinar em projetos ideais”, quando defendeu a proposta tributária em discussão.

“Melhor tributação é aquela que tributa igual para todos”

O ministro da Fazenda também pediu aos empresários que não sejam detalhistas na discussão, evitando assim que o texto constitucional venha a ser engessado. De acordo com ele, cabe à legislação complementar tratar de temas que não forem discutidos pela reforma.

Ao defender as modificações na legislação referente ao ICMS, Palocci disse que talvez essa seja a principal mudança da reforma. Segundo ele, o novo ICMS permitirá ganhos para todos.

– A melhor tributação é aquela que tributa igual para todos – disse, referindo-se à cobrança na origem do ICMS, o que segundo ele, permite uma melhor organização do sistema.

“Não temos interesse em bolha artificial de crescimento”

Antônio Palocci disse que o Brasil não está longe do caminho do crescimento sustentado. Segundo ele, é preciso aprender com a lição dos últimos 20 anos, quando o País passou por choques, ortodoxias e heterodoxias, sendo que o resultado final foi um “crescimento medíocre”.

Assim, segundo o ministro, o atual governo não está interessado em “bolhas artificiais de crescimento”.

– Mesmo com seis meses de governo, posso dizer que não estamos longe do caminho do crescimento sustentado – afirmou.

Palocci admitiu, no entanto, que ainda existem muitos problemas em vários setores da economia.

– O governo tem convicção de que houve uma evolução assimétrica da nossa economia”, disse, citando em seguida o ótimo desempenho do setor do agronegócio, que tem recebido um tratamento adequado em termos de crédito e de incentivo nos últimos anos.

Ele citou também o bom desempenho do setor exportador, estimando que o saldo comercial neste primeiro semestre deve bater o recorde nos últimos 12 ou 13 anos, alcançando US$ 10 bilhões.