Palocci: ‘Há pessoas que não têm limites’

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Publicado sexta-feira, 24 de março de 2006 as 15:51, por: cdb

Em sua primeira aparição pública em mais de uma semana, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci aproveitou para fazer uma dura crítica ao que ele classifica como um clima de pesado conflito político que começa a se desenhar para as eleições deste ano. Palocci ressaltou que a economia brasileira está preparada para enfrentar essas turbulências e que a política econômica tem o respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

– Acima de nós estão as instituições, está o Brasil. Vou buscar serenidade para este cenário de conflitos políticos, porque acima de nós estão as instituições e nós não podemos nos perder em conflitos intermináveis. A economia começa a voar em céu de brigadeiro e o ministro da Fazenda está mais para o lado do inferno – disse Palocci nesta sexta-feira em um discurso na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo.

Palocci assegurou aos convidados para o almoço que a economia permanecerá estável até o término do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

– Não vou misturar o Ministério da Fazenda com assuntos pessoais. Estou bastante otimista que mesmo com a eleição não haverá conturbações econômicas – disse ele.

Acusado pelo caseiro Francenildo dos Santos Costa de ter freqüentado várias vezes a casa alugada em Brasília por seus ex-assessores na Prefeitura de Ribeirão Preto (SP), Palocci é tratado como suspeito pela CPI dos Bingos de participar de reuniões na casa que era usada para negociatas envolvendo integrantes do governo e festas com prostitutas.

– É verdade que a política está cobrando seu preço, mas não pensem que isso vai abalar os pilares da economia. Neste momento, as forças políticas estão em confronto, as vezes chega a um nível de exacerbação. Não atribuo a nenhum partido, mas há pessoas que não têm limites, não têm respeito – afirmou.

Palocci citou também em seu discurso o seu afastamento do ministério Fazenda nestes últimos dias.

– Não posso como ministro debater qualquer acusação baixa, não posso fazer um debate com estes temas que estão sendo colocados. Vou fazer isso (se afastar) sempre que na discussão houver desrespeito por parte de alguns colegas – afirmou.

Segundo o ministro, neste momento, governo e oposição cometeram erros, mas ele salienta que não se pode tornar o caso como algo sem fim.

– Se não conseguirmos equilibrar este processo podemos ter problemas, não na economia, mas em outros níveis. Os fundamentos, os instrumentos e o apoio do presidente Lula estão completamente assegurados para a estabilidade da economia – afirmou.