Palestinos juram atacar norte-americanos em caso de guerra contra o Iraque

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Publicado sexta-feira, 17 de janeiro de 2003 as 21:37, por: cdb

Cerca de três mil palestinos, com os rostos cobertos, realizaram nesta sexta-feira em Gaza uma manifestação de apoio ao Iraque, como parte de uma série de esforços para demonstrar sua solidariedade a Saddam Hussein.

Os manifestantes carregavam fotos de Saddam e cartazes com as inscrições “Não, não aos ataques” e “Saudamos o Iraque”. Queimando bandeiras dos Estados Unidos, de Israel e da Grã-Bretanha, grupos radicais, como Jihad Islâmica, Hamas e Frente Popular para Libertação da Palestina, participaram do protesto.

Outros cartazes atacavam diretamente Yasser Arafat e George Bush. “Onde está Arafat? Ele nos vendeu aos Estados Unidos” e “Bush é como um câncer”, diziam também. Alguns manifestantes deram tiros para o alto.

As passeatas têm a intenção de expressar solidariedade ao Iraque, que, por sua vez, ofereceu apoio financeiro às famílias dos terroristas suicidas palestinos.

Segundo um membro do Hamas, árabes e palestinos vão atacar alvos norte-americanos se os Estados Unidos de fato entrarem em guerra com o Iraque. As manifestações marcaram o décimo segundo aniversário da Guerra do Golfo.

“Se o Iraque for atacado, todos os norte-americanos serão alvos para os palestinos e os árabes”, disse a jornalistas Mahmoud al-Zahar.

O governo autônomo palestino, que declarou que Saddam Hussein deveria cumprir as resoluções da ONU, não participou dos protestos. Mas muitos jovens militantes do movimento Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, uniram-se aos manifestantes.

Grupos islâmicos e facções seculares que participaram da passeata também condenaram os países árabes, que acusaram de manter “silêncio contra os ataques ao Iraque e à Palestina”.

Os manifestantes gritaram frases contra o presidente George W. Bush, cujo pai governava os Estados Unidos durante a Guerra do Golfo. “Bush Junior é um covarde, o Iraque não será humilhado”, gritavam em meio a bandeiras da Palestina e do Iraque.

Nas últimas semanas, os palestinos realizaram manifestações regulares de apoio ao Iraque.

Mas Arafat, que apoiou Saddam Hussein em 1991, na Guerra do Golfo, está sendo agora mais cauteloso. O líder palestino pede uma solução pacífica para a tensão entre Estados Unidos e Iraque.

Iniciativa egípcia

Ao mesmo tempo, o Egito convidou ao menos cinco grupos palestinos para uma reunião no Cairo na próxima semana, a fim de discutir o fim dos ataques terroristas contra a população civil israelense.

O ponto crucial do documento egípcio, que será discutido dia 22 de janeiro – seis dias antes das eleições em Israel – é a promessa conjunta das facções palestinas de acabar com os ataques aos civis israelenses, mas o grupo radical Hamas já antecipou que não vai suspender estas ações.

“O Hamas informou oficialmente o Egito de sua decisão final: nossa posição é contra a proposta do fim da resistência e de um ano de trégua”, disse à imprensa em Gaza o porta-voz Abdelaziz Rantissi. “As operações dentro de Israel continuam”.

Por outro lado, Yasser Arafat e seu movimento Fatah aprovaram a resolução no início da semana, segundo o assessor do líder palestino, Nabil Abu Rdeneh.

Entretanto, Arafat disse na quarta-feira que as outras facções ainda não chegaram a um acordo. “Não existe uma visão clara”, declarou a jornalistas.

O documento egípcio não especifica se sua proposta de fim das agressões se aplica também aos israelenses na Cisjordânia e em Gaza. Mas, fontes ligadas às negociações sustentam que o Egito está tentando obter ao menos um acordo informal das milícias para que suspendam todos os ataques contra os israelenses em Israel, sem exortá-los ao desarmamento. Israel criticou esse aspecto do plano.

“Havíamos recebido com aprovação uma suspensão verdadeira de todo tipo de terrorismo e violência, mas isso mais parece muito palavrório e pouca ação”, disse Raanan Gissin, assessor do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon. “O terrorismo tem que parar completamente e não somente d