País tem de discutir ‘custo-benefício da proibição das drogas’, diz Cabral

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Publicado quinta-feira, 1 de março de 2007 as 11:28, por: cdb

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, defendeu uma ampla discussão no país sobre a legalização do uso e até mesmo da comercialização das drogas atualmente consideradas ilícitas. Ele participou, no Congresso, da reunião dos governadores do Sudeste com os presidentes da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para discutir a questão da segurança pública no país.

O governador carioca considera o tema “importantíssimo” e ressaltou que ele já é discutido em países europeus e nos Estados Unidos. – Temos que colocar na balança o custo-benefício da proibição das drogas. Até que ponto a proibição das drogas não tem levado muito mais gente a morte do que se houvesse uma discussão pela sua legalização com a presença da Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas (ONU) e de fóruns internacionais para discutir esse tema de maneira verdadeira – argumentou.

Cabral Filho ressaltou que, por conta da proibição das drogas, o tráfico de armas é mais intenso em países subdesenvolvidos, como africanos, asiáticos e latino-americanos. – Nós temos que rever de uma maneira séria esta questão. Não é o governador do Rio de Janeiro, é o homem público que acha que é importante esta questão ser colocada – explicou ele.

O governador ressaltou que o caminho para a discussão deste assunto é nos fóruns internacionais e não no Rio de Janeiro ou restrito ao Brasil. – Eu não quero ser hipócrita, há uma demanda por drogas no Brasil, nos Estados Unidos, na França, na Inglaterra e esta demanda tem levado à morte milhares de pessoas no país – afirmou.

Cabral acrescentou que esta demanda por drogas, que estimula a disputa por pontos de venda, tem contribuído para o aumento do contrabando de armas e, por conseqüência, num crescente número de pessoas assassinadas. Cabral destacou, entretanto, que não apresentou o tema para discussão na reunião uma vez que antes de apresentar uma proposta de mudança legislativa o assunto deve ser discutido em âmbito internacional.